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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Quando somos enganados para sair de casa.

Acordei antes do meu despertador tocar. O dia não convidava ninguém a sair de casa, e eu soube disso só de ouvir o barulho das poças movimentadas pelos carros. Tentei desmarcar, mas foi em vão, acabei saindo de casa de qualquer jeito.

Minha amiga tinha dito que a exposição era sobre o olhar de alguns homens sobre algumas pintoras, entre elas Frida Khalo. Fui na expectativa de ver muitas pinturas dessa artista, e o poster da entrada parecia confirmá-la. Qual não foi meu desapontamento ao descobrir que só tinha uma pintura da Frida (justamente a do poster gigante), insignificante de tão minuscula!

Outro choque foi descobrir que minha amiga tinha entendido errado a proposta do evento. "Elles" significa "Elas" em francês, mas G, não sabia, achou que fosse o plural de "El" em espanhol. Não a culpo por isso, quem é que tem a obrigação de saber francês? Eu só me meti a aprender porque tenho um vício nerd de sempre exercitar o cérebro, e porque o local cobrava um preço de banana.
Só que essa confusão me fez criar uma ideia do que eu ía ver, que no final se mostrou bem diversa do que realmente era. Se não fosse a companhia de G, o dia teria sido bem chato.

Enfim, fiquei bem desiludida com o que vi.  Além do único quadro da Frida, ainda vimos muitas fotos de vaginas e seios e vídeos sem pé nem cabeça onde um homem doido arrancava um sutiã de uma moça. A proposta da exposição era mostrar a produção artistica de mulheres na década de 1960 e na de 1970. Eu entendo o contexto social da Revolução de Costumes, onde a mulher conquistou muitos direitos e precisou ser bem radical para se contrapor à tradição da esposa dócil e fútil. Só que foi beeeem estranho de qualquer forma. Tinha um vídeo de uma mulher nua dançando  com um bambolê de arame farpado na praia. Fiquei bem abalada com isso porque a pessoa que fez se feriu de verdade, é chocante para os meus olhos.

Tinha algumas obras que mostravam o corpo feminino como mercadoria, mas não tenho certeza se as obras protestavam contra a mercantilização do corpo da mulher, ou se protestavam contra o preconceito sexual exigindo a liberdade de ação e escolha das mulheres pelos seus parceiros.  Só que também foi meio gritante colocar a vagina como um cofrinho ou filmar uns caras metendo a mão numa caixa para apalpar o peito de uma mulher.

Só que nem tudo foi ruim. Lembro de um quadro que questionava o perfil da dona de casa feliz dos anos 50 que me agradou muito, mas em comparação com esses outros a mensagem era muito fácil de ser percebida. A cena era um jantar de família, mas o marido era enorme, o que me passou uma ideia de autoridade. A esposa era loura dos olhos azuis e recatada, e G achou que havia medo noa olhos dela, mas aí não sei dizer. O fato é que ela era bem menor que o marido, porém maior que o cachorro e a empregada. Ah sim a moça que aparece servindo o jantar é só um pouco maior que o cão, o que denota a condição ainda mais inferior das mulheres pobres. Acho que foi meu quadro preferido da exposição (será que é porque eu entendi?) os outros me pareceram apelativos ou sem sentido, mas arte moderna realmente é mais difícil de significar. Acho que não tenho sensibilidade para ela, tenho mais afinidade com o período impressionista ou o renascentista.  Fazer o que né?

E você, gosta de arte?


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Civilização e Progresso?

Civilização e Progresso?





Na virada do século XIX a arte tinha uma grande importância para o país, pois nessa época acreditava-se que o progresso de uma civilização media-se através do estágio evolutivo de sua produção artístico-cultural.


Mas e hoje em dia? O que significa ser civilizado? Qual a marca do progresso? Bem, os buracos do meu bairro parecem responder. Os governos tecnocratas do Rio só parecem saber abrir enormes depressões no solo e aumentar o estresse nas ruas. Será que ninguém disse a eles que o maior inimigo do trabalhador é o engarrafamento?




Em ano de eleição normalmente os buracos inúteis são abertos no inicio do ano para serem fechados próximos ao dia da votação, mas estes são especiais, já perderam muito tempo fazendo obras em outras localidades e portanto vão continuar incessantemente por um longo tempo aqui, só creio que não haverá tanta enrolação e superfaturamento. Vai passar por aqui uma importante estrada, pensada para melhorar a infraestrutura da cidade para a Copa o Mundo. Enquanto as obras se aprofundam pelo bairro, calçadas são reduzidas, ruas estreitas precisam substituir a principal (sim foi a minha rua, imagina ser acordada no domingo com centenas de buzinas no seu ouvido?)e a poluição sonora enlouquece até as criancinhas que brincam no parquinho.




Gostaria que houvesse uma alternativa para essas obras. Talvez num futuro próximo eu agradeça as melhoras que elas se propõem a criar, mas estão alterando toda a rotina local. Comerciantes que eu conhecia desde pequena tiveram que se retirar e pessoas que ainda moravam em casas de beira de rua(cada vez mais raras) precisaram sair, sem falar quando eles destroem encanamentos e precisamos racionar água por isso. A única coisa de que gostei, é que foram criadas novas travessias , o que significa que não precisamos sair correndo para não sermos atropelados.




Acho que faltou planejamento na construção dessa cidade e agora para fazer melhorias estamos pagando caro. Não é à toa que às vezes me divirto pensando que certos bairros (como a taquara por exemplo) que vivem engarrafados (e que estão bem piores agora) precisavam ou ser explodidos para só passar carros por lá, ou proibirem que muitas linhas de ônibus façam seus trajetos nesse locais. Seríamos bem mais civilizados se nossos nervos fossem poupados(risos), mas a questão é: será que como no século XIX só estamos pensando no que os outros países vão dizer de nós? Será que ser o palco da Copa do Mundo de 2014 e das olimpíadas de 2016 vai nos equiparar a outras nações civilizadas, assim como a arte tentou fazer nos séculos passados?






De certa forma acredito que melhorias precisam ser feitas, mas gostaria que não fossem realizadas apenas quando há ocasiões especiais. Gostaria que os prefeitos e governadores anteriores tivessem, cada um, resolvido melhorar algum ponto da infraestrutura, assim o impacto sobre o cidadão e sua rotina não seria tão pesado. Do jeito que as coisas estão, ficamos sem alternativas, em qualquer sentido que tomamos o trânsito está complicado, e as rotas alternativas ficam tão lotadas que ficamos que nem sardinha em lata nos trens e metrôs, e a única coisa que os funcionários da supervia podem fazer, é nos empurrar ao máximo para poder fechar as portas do vagão. Melhorar a cidade, em primeiro lugar ,deve ser para o cidadão e não apenas para os estrangeiros ficarem confortáveis.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

A menina das Ideias

Uau que título prepotente não? A dona do blog deve estar pensando que é a única garota do mundo que tem ideias boas para mostrar...

Não, espere não é isso! A culpa é da Pandora que me chamou assim. Ela tem até uma tag no blog dela para minhas ideias com esse nome. Bom, talvez eu seja convencida mesmo, afinal aceitei o apelido não é verdade? O fato, é que ninguém pensou em fazer um blog com esse nome antes, e a ideia me parece genial.

Bom, nesse primeiro post eu vou falar um pouco sobre mim. Fui a dona de um blog chamado Diários de Bordo durante três breves anos. A ideia inicial dele era de escrever poesias e ser um pouco mais maduro que o Filosofias de Annelise (outro blog que eu tive, mas que comparando ao Diários foi um fracasso). Só que eu acabei fugindo do tema e postei todas as coisas que me vinham na cabeça. Por um longo tempo isso me incomodou, mas hoje abrindo esse blog novo, eu assumo minha incapacidade de manter uma unidade de pensamento. Sou uma sagitariana insatisfeita, e uma "metamorfose ambulante", logo, A menina das ideias segue essa personalidade ampla e rica que eu tenho, sem medo de ser feliz.

Penso em postar resenhas de livros e filmes, textos (que eu acredito serem literários) ,poesias, desenhos que eu faço, se estiver afim de postar, Blogagens coletivas (de preferência as polêmicas)e talvez eu venda alguns cacarecos só para poder fazer uma viagem ou um curso quando pintar a oportunidade. Posso até fazer outras coisas além disso, só que não consigo pensar em nada agora.

Minha maior esperança é não conseguir deletar este blog no futuro. Foi muito duro deletar o Diários de Bordo, afinal apesar de estar parado desde março, foi nele que conquistei muitas parcerias e respeito pelo que penso. Imagina se desfazer de um espaço que recebeu 115 mil visitas? Só sendo muito sagitariana...

Enfim, possuo outro blog chamado "Entre Livros e Sonhos" (que me parece estar com os dias contados também) e faço participações especiais no A notícia no Divã e sou integrante do time das "Meninas dos Livros", sendo mais conhecida como "a bibliotecária" por causa das nerdices que falo. Escrevo fanfics também e já participei de 3 coletâneas de contos na internet, com parceiros como o Christian V Louis e  Elaine Gaspareto . Espero em breve poder escrever o meu próprio livro, mas isso vai depender de um zilhão de outras coisas.

Ainda não sei a periodicidade com que poderei postar, pois este ano é o meu ultimo na faculdade, e estou vivendo o "pesadelo da monografia". Só sei que não consigo ficar longe disso tudo. Se para Descartes pensar é existir, para mim escrever é existir. Talvez daqui a algum tempo eu me envergonhe do que escrevi aqui, como aconteceu com o Diários, mas a proposta deste blog é viver com toda a intensidade as minhas flutuações de pensamento. Então não creia que sempre possuirei a mesma ideia. O amadurecimento é essencial ,porém, como ele perdemos a ingenuidade a simplicidade analítica, então não dá para permanecer o mesmo para sempre.

Despeço-me prometendo que o layout vai melhorar. Um amigo da blogosfera se comprometeu de me ajudar a deixar o blog com a minha cara, e fiel à proposta e ao título. É possível que muitos posts sejam importados do Diários e do Entre Livros, mas prometo textos originais e dar meu sangue e dedicação a este espaço quando eu me formar na faculdade. Eu esperava começar este projeto estando definida, sabendo o que faria profissionalmente e conseguindo seguir um raciocínio para ter um publico na internet, mas a vida ainda está começando para mim. "The rest  still unwritten" como diria Natasha Bedinfield, e que graça teria falar de algo que já está definido? O mais legal da jornada é a aventura, e não o tesouro no final do arco-íris.   

Post Scriptum:
Por ultimo, eu poderia dizer que este blog surgiu da minha tomada de consciência, de que não se deve lutar contra quem se é, e sim aceitar suas qualidades, enxergando como elas podem se adaptar ao ambiente. Só não vale ficar fanático com isso, é preciso deixar as coisas acontecerem. Como Paulinho da Viola diria, não adianta lutar contra a correnteza, é preciso deixá-la fluir.

Bom, isso é tudo por agora, pessoal!

Um grande beijo,

Aleska Lemos.