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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Defeito ou qualidade?


Durante minha adolescência, eu via as coisas em preto e branco: ou era defeito ou era qualidade. No entanto, nos dias atuais eu vejo uma gama de "cores" novas, e uma das coisas que me ajudou a entender isso, foi a astrologia.

Você pode escolher se acredita ou não em astrologia, eu acredito, mas se você não crê, entenda como um exemplo. Bom, vou usar os "signos de água" para a explicação. Para quem não sabe, signos do elemento água são escorpião, peixes e câncer, e são chamados assim porque a sua principal característica é a capacidade de fluidez das emoções. São pessoas que tem uma relação íntima com seus sentimentos, e não tentam escondê-los. Só isso já basta para mostrar o meu ponto. Uma pessoa que ouve seus sentimentos, é uma pessoa que se conhece e é atraente para os outros por serem carinhosas e tal. Mas por gostarem tanto de se relacionar e não terem muito pudor por mostrar seus sentimentos e carências, tornam-se presas fáceis para pessoas mal-intencionadas. Há também a possibilidade de sofrerem quando são abandonadas por pessoas que não aguentam os mil tentáculos que usam pra prender os que amam.

O grupo dos signos do fogo (sagitário, leão e aries) se caracteriza pela energia, expansividade, sinceridade e liberdade. No entanto, essas características podem ser mau usadas e se tornarem: tédio, mal-humor, crueldade e egoísmo.

Eu até poderia continuar falando do zodíaco, e se vocês quiserem até escrevo nas próximas postagens, mas o tema aqui é esse: qual a fronteira entre o defeito e a qualidade? Na minha opinião, a qualidade é a característica da pessoa usada com moderação, já o defeito é o excesso ou a falta da característica. É claro que maturidade e o nível de estresse também influenciam na hora de atuar com nossas qualidades, mas acho que já nascemos com uma configuração de personalidade. Um conjunto de características prontas para serem desenvolvidas e lapidadas pela vida.

Fica aí meu pensamento. E vocês o que acham?

Outro post do meu falecido blog Diários de Bordo.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Papo de maluco.

"Felicidade não é felicidade sem um bode tocando violino." Um lugar chamado Nothing Hill.

Felicidade não está na mesmice,
nem na segurança da rotina,
nem na mesa da esquina.

Feliz é aquele que dança nu,
que não precisa do Natal
pra comer peru.

Um cara feliz,
não precisa de uma dose,
nem sofre de psicose.
Estoura plastico bolha,
e faz arte com rolhas.

Ser feliz é simples:
de vez em quando falar palavrão
se pintar e ficar bonitão
ou endoidecer o coração
ouvindo bodes tocando violino.




Esse post foi originalmente publicado no meu antigo blog, chamado "Diários de Bordo". Não lembro a data kkkkk.

Beijos Alê.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Chamada: Coletânea de Contos Sobre a Violência contra a mulher

Eu não me considero uma feminista. Nunca li Simone de Beauvoir  ou qualquer outra autora dessa linha, no máximo dei uma passada no blog da Lola ou li algumas coisas que uma outra amiga blogueira escrevia. Só acho que o pouco que aprendi com elas e com o estudo de gênero na antiguidade (coisas da facul), tomei um pouco de consciência da minha história de vida e percebi como o machismo tinha afetado a construção da minha personalidade (da minha baixa autoestima, na realidade).

Uma vez livre de algumas ideias machistas, que a sociedade me incutiu através da educação (vai além do rosa para menina e do azul para menino) pude então respirar e me enxergar mais positivamente. Só que infelizmente, a maioria das mulheres que conheço tem preconceito contra o movimento, e não querem entendê-lo.  Em consequência disso, sofrem preconceito o tempo todo e o aceitam, porque a sociedade as fez aceitar que são culpadas pelo que de mal lhes acontece. E é por isso que muitas moças estupradas definham, se matam ou esposas que levam porradas dos maridos não os denunciam para a polícia.

Pesando nisso, resolvi fazer um convite: todos vocês, amigos da blogosfera ,que tiverem interesse estão convidados a participar de uma coletânea organizada por mim, sobre a violência contra a mulher. O importante, é que o texto não passe uma opinião que reforce o preconceito contra a mulher, pois a intenção desse livro é ajudar pessoas que tenham sofrido com esses problemas: preconceito, estupro, espancamento etc. Espero publicar em uma editora virtual chamada "Clube dos Autores" (mas tem muitas outras que podemos tentar também), com a qual já trabalhei em algumas antologias passadas em parceria com o Christian .  Aviso que este trabalho não visa gerar fins lucrativos, é apenas para realizar um pequeno sonho. Bom, vamos às regras:

1- Os textos precisam vir em formato de contos* que podem ser uma experiência pessoal, ou inventada, fica a critério da (o) participante;
2- O conto tem que ter no mínimo 5 páginas;
3- O texto deve ser entregue até o dia 30 de março através do email: ameninadasideias@outlook.com
4-O conto não poderá ter uma conclusão preconceituosa da questão de gênero**
5- Envie junto com o material, uma mini biografia sua com umas 5 linhas no máximo.
6-Fonte: times new roman número 12, espaçamento entre linhas 1,5, recuo de primeira linha:2.

Aguardo a confirmação de quem quiser participar.  Quem não tiver afinidade com o tema eu vou respeitar, só acho que ganharíamos muito se as pessoas que se identificassem  pudessem se juntar a mim e a mais 5 pessoas que já toparam. Um grande abraço a todas!


* Para quem ficar em dúvida, esse site dá algumas dicas: http://www.recantodasletras.com.br/ensaios/1094584

** Questão de Gênero é o termo que se usa para falar das diferenças de tratamento para homens e mulheres.

Desculpe, amigos leitores mas vou deletar um post.

Decidi deletar um post muito procurado aqui no blog. É uma decisão um pouco difícil, porque quem é que quer perder visibilidade não é mesmo? No entanto, às vezes esqueço que nem sempre as pessoas estão preparadas para nos entender, e ao compreenderem errado saem por aí disseminando ideias muito erradas, e por vezes perigosas.

O post é o "preconceito contra branco". Escrevi esse texto baseado em livros que li na faculdade, como "Na casa de meu pai", de Kwame Appia,  alguns de Levi Strauss (cujos nomes não lembro agora) mas principalmente na teoria de Heiddeger e Gadamer sobre o preconceito. Mas antes de falar deles quero dar o exemplo de Kwame que é metade inglês e metade ganês e nesse livro que citei ele conta de como uma vez um caminhão bateu no carro dele e como todas as testemunhas se aliaram para por a culpa nele e livrar o motorista do caminhão. Na mente daquelas pessoas, ele tinha uma situação financeira melhor que o do caminhoneiro, e por isso era capaz de dar um jeito de arrumar o próprio carro. Mas se o pobre motorista, que estava errado , levasse a culpa, perderia o emprego. Isso é o que o autor chama de preconceito reverso, pois aquelas pessoas não conheciam a vida dele, não sabiam se aquele carro era realmente dele, não sabiam se ele era mesmo um ricaço ou um pobre cidadão comum que precisaria de provas para acessar o seguro do carro. Afinal, se fosse o carro da empresa dele, também poderia ser demitido. No entanto, as pessoas decidiram que pela aparência dele e por estar com um amigo branco do lado, ele é quem deveria pagar o pato. 

Com essa ideia eu não pude deixar de me identificar. Aconteceu o mesmo comigo num museu aqui no Rio. Uma pessoa me deu informação errada e eu tive que pagar para ver uma exposição que na verdade era gratuita. Quando reclamei, as funcionárias foram mal educadas e me mandaram preencher um formulário lá, mas claramente se posicionaram a favor da moça que deu a informação errada. Eu não queria prejudicar ninguém, é claro, mas por causa dessa cidadã eu não tinha certeza se teria dinheiro para voltar pra casa. No fim, fiquei a ver navios e só ganhei uma garrafa de água para me acalmar da minha professora. Mas essa foi apenas uma vez que fui julgada pela minha aparência, há muitas outras histórias. Houve um amigo aqui do blog que enfaticamente afirmou que isso não era preconceito, apenas "casos isolados", mas pensem bem, julgar a aparência de alguém porque ela é branca, não é a mesma coisa que julgar alguém que se vista com estilo gótico, ou como patricinha? No fundo você não tem um pré-julgamento de como é o caráter da pessoa, por causa do jeito como ela se veste, ou de como ela é? Não é tudo preconceito?É claro que há a possibilidade de não ter sido a minha cor, de ter sido a minha roupa ou sei lá meu jeito tímido, mas de qualquer forma foi um pré-julgamento.

Se você disse sim para as perguntas acima, prepare-se para a segunda fase. Quando fiz aula de Antropologia cultural na faculdade, aprendi que cultura é o que diferencia o homem do animal (para a Antropologia) e que ela tanto varia de povo para povo, mas também de pessoa para pessoa. Cultura não é um objeto só da elite como estamos acostumados a ouvir, é um conjunto de saberes de cada homem/ mulher ou povo/nação, que os indivíduos e os grupos usam para guiar seu dia-a dia, mas que também usam para enxergar outros povos e outras pessoas. Veja bem quando eu brasileira vou  falar de um inglês, por exemplo, vou dar a opinião que os brasileiros tem deles "ah os ingleses são um povo muito frio" e o inglês vai dizer "ah no Brasil só tem marginais e ladrões". Essas opiniões não são dadas pelo conhecimento real do outro povo, nós os julgamos pensando nos nossos valores de certo e errado ( no caso, o certo é ser caloroso e intrometido). E eles farão a mesma coisa, enquanto não nos conhecem de verdade e se não tiverem flexibilidade para reconstruir suas noções sobre o Brasil.

No post que falo que os negros também tem preconceito contra os brancos, eu não queria insular o ódio contra eles, estava apenas evidenciando essa característica humana de ser preconceituoso por causa da cultura que construímos. TODOS SOMOS PRECONCEITUOSOS. TODOS PRECISAMOS ENXERGAR QUE POSSUÍMOS PRECONCEITOS PARA PODERMOS MUDAR E CRIAR UMA SOCIEDADE MELHOR. Continuar apenas escolhendo vítimas  sem ensinar as pessoas a não serem algozes não vai mudar nada. Aqui no Rio, existiu um profeta chamado Gentileza, que pregava que "Gentileza gera gentileza", e ele estava certo, mas infelizmente o contrário também é verdade "ódio gera ódio", e esse ódio só vai acabar quando todos enxergarmos que somos iguais, e esse igual deve levar em conta principalmente os nossos defeitos, e o principal deles é: SER PRECONCEITUOSO. Você pode achar que não é, mas pode dizer que em nenhuma situação você pensou: "Tadinho de fulano, se ele pensasse ou fizesse como eu, não teria acontecido isso com ele". Se nunca, meus parabéns, mas te digo uma coisa você é exceção. A maioria das pessoas passa a vida inteira tomando umas boas porradas para entender isso.

Para terminar, vou explicar  sobre o Gadamer. Esse autor, na minha opinião traz a solução para nós. Quando ele fala do "ciclo hermenêutico", ele diz que só aprendemos/ compreendemos uma ideia quando flexibilizamos nossos preconceitos, ou seja, devemos pegar nosso preconceito e testá-lo para ver se está certo ou errado. Muitas vezes acabamos por comprová-lo, mas há vezes que nos desmentimos, e por isso eu acho que sempre devemos dar uma chance para as pessoas, por mais antipáticas que elas nos pareçam, antes de maltratá-las,  investiguem( se possível, mesmo que mereçam, não a tratem assim), conheçam a pessoa e lembrem-se do ditado: "não jogue pedra no telhado dos outros se o seu é de vidro". Faça como eu, esteja aberta para entender os outros e construir um novo saber sobre a vida. De forma alguma eu concordaria com o que disse esse anônimo aqui: 

"Eu acho que deve ser cada uma na sua, branco com branco, negro com negro, para não dar briga, a cor branca já não é mais aceita no brasil, o brasil como país tropical adotou a cor negra como a principal, já que ninguém imagina uma pessoa branquinha vivendo nesse inferno de 40º, e a tendência é piorar cada vez mais, futuramente os brancos que sobrarem serão hostilizados pela população parda e mestiça, menos as mulheres branca, claro, sempre terão a preferência dos negros, já que todos os homens preferem as brancas, mas o homem branco terá um futuro "negro" nesse país."

É uma ideia bizarra. Acho mais é que negros e brancos devam conviver mesmo, que negros devam conseguir serem médicos, advogados, deputados, banqueiros e o que mais eles quiserem ser e fazer.  Não é justo que o sistema os leguem à miséria e a pobreza, pois somos todos humanos, temos os mesmos membros e funcionamos organicamente da mesma forma, sem falar em todos os negros importantes que a história pariu e que fizeram tanto bem à humanidade dividindo seu conhecimento, como Marting Luther King, Machado de Assis, o próprio Appia, Mandela e todos os outros incluindo nossos amigos negros do dia a dia que estão sempre nos dando mostras de sua capacidade e valor.  O convívio entre todas as etnias é benéfico, nesse sentido que Gadamer traz de nos manter abertos para enxergar por trás das aparências. Isso vale também para idosos e portadores de necessidades especiais bem como os homossexuais, que são os principais excluídos da nossa sociedade.

Como falei uma vez num blog antigo, acho que todos temos um dever com a sociedade. Aqueles que sofrem com a exclusão,  tem a missão de fazer com que seus inimigos se sensibilizem, devem ajudá-los a enxergar como mudar, pois são eles quem tem o poder de equilibrar a balança. Eles sabem como é ser um outsider  e sabem o que precisam de nós para deixarem de se sentirem assim.Só peço que o uso da violência (verbal ou física) cesse dos dois lados. Vamos espalhar a gentileza e a harmonia expressando nossas vivências e ideias. Vamos lá?

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Desafio Literário: " E se eu fosse um eu lírico?"




A Menina das Ideias e as Gêmeas da Lua,



Era uma vez um reino chamado Dry Square . O quão longe ele fica da sua casa é você quem poderá me dizer. De qualquer forma, se você pretende conhecê-lo, adicione mais uma hora à viagem porque o engarrafamento aqui é de matar.

Hem..hem, desculpe, engasguei com a saliva. O que eu ía dizendo? Ãh... bem, Dry Square não era um reino próspero, nem tinha um exército, motivo esse que levou o rei Leônidas III a contratar uma milícia para acabar com a violência e o tráfico de drogas. O problema é que um bando de homens armados não eliminam outro bando de homens armados, pois o ódio que geram matando uns aos outros multiplica o número de soldados da linha inimiga(de cada um). O rei Leônidas não tinha como saber disso. Raros são os humanos que entendem que agir diferente é a única forma de romper velhos ciclos. Comum é a sociedade excluir essas pessoas.

Mas, esta história não é sobre reis e rainhas. Seria muito chato falar de pessoas cuja maior aventura já passou. A protagonista é a princesinha mais nova de Dry Square: Alê. Desde pequena recebeu muito carinho dos pais e dos avós, mas não tinha muitos amiguinhos para brincar. Seu irmão, o príncipe Alí era mais velho e tinha muitos amigos para tocar violão, jogar cartas, brincar de polícia e ladrão e de luta, mas Alê só tinha a Di para brincar de bonecas. Infelizmente mãe de Di (a duquesa Net) era muito rígida, e colocava a filha de castigo por 33 dias a cada vez que a garota fizesse um “a” pouco redondo. Sem muito o que fazer, Alê saía por aí pintando paredes, estragando os cremes da mãe, resgatando passarinhos doentes, fazendo experiências (sujeira, muita sujeira) com a comida na cozinha, conversava com quem visse pela frente (rico, pobre, velho, novo) e corrigia o português das damas da corte. Espie só o que ela disse certa vez:

Vossa Alteza, não sabe como ficou minha cara depois do que ele me disse!” dissera a dama Marília em certa ocasião. Alê que estava ao lado da mãe respondeu:

Cara não, Marília. Quem tem cara é cavalo, você tem “rosto”!”
Nem é preciso dizer que a rainha Margarida ficou tão rosa quanto Marília, mas o esporro que deu na filha não era muito forte porque sabia que eram suas palavras ali repetidas. Além disso quem não se rendia àqueles olhos verdes grandes e inocentes?

Mas Alê nem sempre dava com a língua nos dentes (fazia na maioria das vezes, porém, para tudo há exceções),  ao invés disso, ía brincar de contos de fadas com sua boneca Yorozel, uma linda e enorme boneca de pano. E qualquer informação poderia se tornar inspiração para devaneio. Mas sua vida era um pouco solitária, não se sentia muito à vontade em seu papel, e as outras pessoas pareciam ter outras coisas a mais para fazer do que lhe dar atenção.

Os anos passaram e uma benção divina veio do céu, ops, da fibra ótica. A internet finalmente chegou em Dry Square. No início Alê teve medo daquele equipamento estranho , não entendia aquelas mensagens “pop up” que apareciam de vez em quando, mas com uma ajudinha aqui e outra ali Alê e o pc viraram melhores amigos. Foi lá que certo dia ela conheceu as Gêmeas da Lua: Jack e Mixuxa que viraram suas grandes amigas.

A princesa ficava impressionada ao saber que as meninas conheciam sua autora favorita e que até sabiam mais dela do que a própria Alê. Fizeram muitos planos juntas, (inclusive alguns blogs) trocavam confidências, conselhos e correspondência (como os correios chegavam na Lua era um grande mistério). Um dia Alê construiu um telescópio (vendo as instruções no Youtube) para flagrar as amigas fazendo alguma coisa engraçada, mas se surpreendeu pois ela já sabiam de seus planos e estavam lá acenando animadamente.

Como vocês sabiam?” perguntou um pouco frustrada.
Nós já tínhamos um aparelho desses e ficávamos te espionando. Quando você construiu o telescópio ficamos sabendo facinho. Mas se quer saber a minha opinião era mais fácil nos vermos pelo Skype”. Digitou Jack no falecido msn.
Skype é legal, mas porque não marcamos com a Alê de recebê-la aqui em casa?”digitou Mixuxa.
É uma boa ideia! Você pode Alê?”

Uma viagem para a lua? Parecia um sonho, mas nunca que Margarida e Leônidas permitiriam. Nunca fizera uma viagem longa dessas sozinha. Ficou sem saber o que dizer.

Alê, você ainda está aí?” perguntaram.
Sim, só não sei se vai dar. Preciso pedir permissão”

A sorte é que no reino estava uma verdadeira guerra. As velhas confusões estavam tão ruins que os pais da princesa acharam melhor enviá-la para o lugar mais longe possível, caso perdessem a batalha. O príncipe Alí ficou ajudando (ou não) os pais em casa, e assim Alê fez sua primeira viagem de foguete. Foi incrível ficar sem gravidade e olhar as estrelas “tão de perto”, mas o mais emocionante foi descer na lua. Ao contrário do que imaginava, não era quase desabitada, mas sim uma “selva de pedra” com vários prédios em formato de viola. A bandeira americana não estava lá, ou ao menos não conseguiu vê-la.

Mixuxa e Jack estavam lá esperando no “fogueporto”. Eram as gêmeas mais diferentes que já vira, quer dizer, até abrirem a boca. Eram ciumentas à beça, super ligadas em sua mãe e queriam colocar Alê num poTinho (o T é pra imitar o sotaque lunar que parece nordestino) para a princesa nunca mais sair de lá. Eram um bocado “cosmopolitas” e não tinham dificuldade para devanear, o que era bom, porque a nova amiga também adorava imaginar coisas malucas. Aliais, esse fato não passou despercebido delas. Certo dia, em que o aquecedor pifou, Mixuxa ficou com muita preguiça de sair de sua cama quentinha para varrer a casa como sua mãe pedira. Infelizmente quando mãe pede, na verdade está mandando, e é para ser agora, agorinha mesmo.

Mixuxa, porque nós três não amarramos esses paninhos nas pantufas e não saímos patinando pela casa? Vai ficar tudo limpinho rápido e poderemos voltar para a cama logo.”

E as três embarcaram na ideia. Foram escorregando e limpando tudo em meio à risadas. Quando não aguentavam mais cair, aprenderam que amarrar uma almofada no traseiro ajudava a amortecer a queda. Alê também lhes ensinou o prazer de detonar plástico bolha e contou muitas das histórias que criava na cabeça. Foi assim que Jack pariu o codinome da princesa: “ A menina das ideias”.

Foram três ótimas semanas que passaram juntas. Alê por sua vez, aprendeu muita coisa observando os lunares (habitantes da lua). O povo valorizava tanto a educação que todo mundo investia no aprendizado das crianças. Cada lugar, desde padarias, esquinas à escolas e universidades as pessoas estavam dispostas a falar de seu ofício e trocar ideias amigavelmente para que as crianças crescessem com autonomia e construíssem seu conhecimento. O nível de violência era bem reduzido em decorrência não só da boa qualidade de ensino, mas também por causa do cooperativismo da sociedade, para que cada cidadão desse certo na vida.

Ser professor na Lua era muito legal. As pessoas respeitavam e o salário não era tão ruim como aqui. Não era necessário trabalhar em várias escolas para sobreviver até o fim do mês. Desse modo Alê pode ver Mixuxa e Jack ensinando com satisfação e amor. Que lugar encantador era a Lua! O único problema que ouvira falar (mas não presenciou) eram os imigrantes marcianos que deixavam seus pets (não sabia exatamente como chamar aquelas coisas gigantes que eles tratavam como animais de estimação) fazerem cocô nas calçadas, o que dava um tremendo trabalho para limpar(nem mesmo os donos davam conta rapidamente do serviço, segundo Mixuxa).

Toda aquela organização conquistada pelos lunares martelava na cabeça da princesa. Antes de conhecer aquela civilização, não imaginava como poderia acabar com o caos em seu reino, que tanto vinha lhe preocupando. Sentia-se temerosa pelo destino do povo em suas mãos, e mesmo tendo frequentado uma faculdade , não sabia o que poderia ser feito para acabar com os velhos problemas (o bang bang) de Dry Square, e assim libertar seu povo da indignidade de não poder circular tranquilamente pelas terras em que nasceram e cresceram e de terem orgulho de quem eram. Agora, depois da visita, o sentimento era outro, a coragem nascia e o otimismo lhe motivava. Mas como tudo que é bom dura pouco, um dia a expedição teve que terminar:

Jack, Mixuxa adorei essa viagem. Vir aqui me mostrou como consertar as coisas lá embaixo, no meu reino.”- disse momentos antes no check in do fogueporto.

Ué, mas não é o seu irmão quem vai herdar tudo? Vai caber a ele decidir como as coisas serão”-disse Mixuxa.

É verdade, mas acho que se eu contar a ele, as coisas podem mudar. Sem falar que eu terei um lugar no conselho e poderei dar minha opinião.”

Você vai dar um jeito de ser ouvida, Alê. Você sempre tem uma ideia na manga, Menina das ideias!”.

obrigada! Vocês são demais, Gêmeas da Lua!”
I mana, ela inventou um apelido pra gente também!” (riram juntas)

O abraço durou o suficiente para ser infinito na memória de todas. Despediram-se com carinho e saudades antecipadas, mas estavam enriquecidas com a experiência e a coragem já não mais  lhes faltava.

FIM.

Espero que tenham gostado da minha participação. Fiz um pouco às pressas, e devia ter deixado mais curto, mas até que saiu bem fofo, eu acho.  Se alguém ficou interessado em participar é só ir no post anterior, ou clicar no banner na coluna aqui ao lado para ver as regras. Um grande abraço!

Ah! Confira quem já está participando:
Chica
Rosélia
Roberta Aline
Valquíria
Anne Lieri

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Novo look e nova proposta.

Eu estava feliz e acostumada ao layout antigo aqui da Menina das Ideias feito pelo Alê Melo. Não estava planejando fazer essa repaginação toda, a pesar de que sempre foi meu sonho ter o blog todo estilizado  e combinando como está agora, mas mesmo assim, tirar esse banner :
foi bem difícil. Foi feito com tanto carinho, e o Alê ainda teve que aguentar meu lado mexicano (visualmente poluído) pedindo mais cor para o blog e dando "peti". No entanto em dezembro eu tinha pedido a um outro amigo meu para fazer um banner de divulgação aqui para o blog, pois eu queria fazer parceria com a Joicy Lourenço, uma escritora muito talentosa, e com o O Que Tem Na Nossa Estante. Acho que devo ter comentado com ele que era difícil achar um plano de fundo legal no google para colocar no blog porque ontem, quase à meia noite ele me mandou essa imagem de título, o banner de divulgação e o plano de fundo!*_* aí babei né? Coloquei tudo no blog e fiquei só admirando o resultado bacana que ficou (até mesmo no celular). No início tentei colocar os dois banners, mas achei que não seria digno colocar o belo trabalho do Alê no rodapé para ninguém ver. Então decidi que era melhor deixar esse primeiro banner na página do facebook ( aproveitem para curtir também amigos!Lá tem outros conteúdos além dos links do blog):


Ah eu já ía esquecendo de falar. O layout foi feito pelo Renato Barbosa, que humildemente não assinou o trabalho dele, mas é preciso divulgar. Ele me deixou muito feliz com a surpresa principalmente porque nos detalhes ele colocou coisas de que gosto muito, como viajar e ler, por exemplo. Totalmente a minha cara! Acho interessantíssimo quando as pessoas captam detalhes da minha personalidade e acertam em cheio meu gosto. Mais uma vez obrigada Renato! Foi uma surpresa e tanto! E Alê, sua ajuda está guardada no meu coração também, se não até hoje eu estaria com um layout estranho como aquele da foto do Drumond.

Bom, Além dessa pequena explicação, queria deixar uma proposta para os amigos da blogosfera. Hoje eu fiz uma pergunta para minha amiga Pandora, mas que ficou sem resposta. Era a seguinte questão: "Pandora se eu fosse um personagem de livro, como você me descreveria?". Acho que ela não viu em meio a tantas coisas no bate papo, mas aí eu tive uma ideia para um desafio literário, que muda um pouco essa ideia inicial de pedir para alguém nos descrever. Na verdade gostaria que   imaginassem uma história na qual vocês fossem os protagonistas, e descrevessem como você se enxergam e um pouco da trama, que pode ser real ou imaginada. Não tem limite de linhas, escrevam o quanto quiserem (mas recomendo que escrevam mais de 5 linhas por favor ). A história deve ser postada até o fim de fevereiro/ iniciozinho de março, e imagino que haverá um sorteio, mas vou manter minha boquinha bem fechada sobre o que é. Pode ser um conto, poesia ou o que mais vocês gostarem de escrever, o importante é colar o banner do desafio (que é esse aqui ao lado) e assim que postar deixar o link aqui nos comentários.
Espero a participação dos amigos!
Um abraço,
Alê Lemos.

PS: No banner diz "eu-lírico", mas insisto que não se trata apenas de poesia.
PS2: Desculpe pelo amadorismo do banner, mas fazer o que se eu sou tipo assim...  ãh...amadora?

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A menina que roubava livros.

Um certo dia, uma das amigas da minha mãe (que queria ser a minha mãe*) veio me contar sobre um livro que estava lendo. Eu fiquei tão empolgada com o livro que não a esperei terminar de lê-lo para me emprestar. Enchi o saco da minha mãe e acabei ganhando de aniversário. Esse livro era "A menina que roubava livros" como o título já denunciava.

 A história era encantadora, só me perdia na descontinuidade da narrativa porque a morte (personagem que narra a história) parecia incapaz de ordenar os acontecimentos da vida de Liesel Meminger. Emprestei para algumas pessoas, até que que uma delas fez que nem a protagonista: furtou meu volume. Até hoje não consigo lembrar quem foi...

Quando saiu a notícia da adaptação para o cinema eu fiquei felicíssima. Achei que o cineasta responsável iria dar um tom mais retilíneo à história da Liesel, só ficava a duvida se ele iria saber dar o toque de descoberta do mundo característico da pré-adolescência ( e da infância) que mais enfatiza as contradições sociais e deixa muito adulto constrangido.  Confesso que não me decepcionei. Talvez a forma da narrativa tenha perdido a poesia que Zusak quis lhe dar, mas foi muito bom rever Rudy se pintando de preto porque ele queria ser Jesse Owens (o americano que ganhou ouro nas olimpíadas da Alemanha), o homem mais rápido do mundo, e Liesel aprendendo a ler com o "Manual do Coveiro", a ultima relíquia que a ligava ao irmão falecido.

Em certos momentos, acredito que a ordem dos fatos foi mudada, mas não atrapalhou em nada. A mensagem de que a humanidade é capaz de muitas coisas boas,em momentos tensos, foi dada muito bem, assim como a ideia de que nem todo alemão aceitava as ideias nazistas por convicção. Aliais, sobre a resistência alemã temos muita poucas produções. Ah sim! Já ía me esquecendo. Ele também retrata judeus e comunistas como pessoas comuns, apesar de também tratar do preconceito.

Eu não gosto muito de chorar em público, mas não resisti kkk tem cenas muito lindas e outras bem tristes, mas de qualquer forma, saí do cinema com vontade de reler o livro, então passei numa livraria e adquiri esse volume aqui em baixo com a capa do filme (coisa que não gosto, mas abri uma exceção dessa vez).



É claro que também aproveitei para comprar um livro sobre Jane Austen, afinal estou pensando em pedir admissão no fã clube dela kkkkk. Passear em livraria é um vicio. Não consigo entrar em uma sem sair de lá sem algo (nem mesmo quando uma cara estranho tentou puxar assunto). Vida de Livrófila é tensa. Quando vocês virem o filme me contem o que acharam, ok? Estou morrendo de sono!

Um beijão!
Alê Lemos.









* Algumas amigas  da minha mãe,  por algum motivo  que não sei explicar, dizem que são minhas segundas mães.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

"Adultecer".

Quando cheguei aos 18 anos tudo continuava do mesmo jeito. Acho que todo adolescente pensa, que vai poder "fazer e acontecer" só porque é maior de idade, mas a coisa não é bem por aí, principalmente se você ainda não tem um emprego. Seus pais continuam mandando e desmandando na sua vida porque pagam todas as suas despesas, e porque você ainda não tem muita noção do que é ser adulto (ao menos para mim e alguns muitos por aí). Ter completado 18 primaveras não significou que eu tivesse ficado sábia ou independente. Na verdade, acho que foi quando minha vida realmente começou.

Em 2008  comecei com uma boa notícia: eu estava na listagem do vestibular da UFRJ. Eu havia sofrido muito por antecipação, e confesso que não vi meu nome lá da primeira vez que olhei. Só quando uma amiga me ligou e pediu pra eu ver de novo a listagem é que me deparei com a verdade. O único problema é que eu tinha passado para o segundo semestre e ainda por cima à noite. Imagina uma bebê indo e voltando todo dia do centro da cidade à noite? Minha mãe quase teve um infarto. Queria que eu mudasse o horário, que eu reclamasse com alguém, mas eu preferi enfrentar, e confesso que foi a melhor coisa que fiz.  

Porém, antes de explicar como foi essa experiência, vou contar o que fiz nos seis meses que fiquei em casa. Era um pouco duro, eu tinha muitos livros para ler, mas perdia fácil a vontade de terminar. Eu chamava as pessoas para sair e tomava bolo, claro, porque só eu é que fiquei sem rotina. Enquanto eu morria de tédio, meus pais resolveram me dar um foco temporário: passar na prova do TRT, que acabou me mandando para o centro da cidade mais cedo. Eu também comecei a blogar nessa época num blog que praticamente ninguém queria visitar chamado: "filosofias de annelise", lá no zip.net . Foi uma boa válvula de escape para meu estresse.

Eu não tinha muita disciplina para estudar, e juntando isso ao cansaço adquirido por enfrentar 3 horas num ônibus todo o dia (há muito transito para sair do meu bairro) acabei não passando no concurso, o que foi um belo baque para mim, já que estava acostumada a ser a cdf da turma, na escola. Mesmo assim, o desespero só veio quando as aulas na faculdade começaram, pois os professores esperavam um rendimento nota mil da gente, e por mais que eu prestasse atenção, anotasse no caderno e lesse quase todos os textos (não sei porque, mas no primeiro período os professores passavam os textos mais grossos pra gente) tomei bomba na maioria das provas. É verdade que só reprovei em uma no fim do período, mas nas outras eu passei porque fui salva por um trabalho final feito em grupo (onde a chefa era perfeccionista), na outra o professor teve pena de reprovar os alunos com média baixa, em Brasil contemporâneo eu consegui passar porque li praticamente todos os textos da pasta e revisei um a um, e finalmente, em Economia eu passei porque o professor achava que todos os alunos de história eram burros (porque o povo chiava toda vez que ele colocava uma parábola no quadro kkkk).

Nos períodos seguintes me acostumei a fazer fichamentos dos textos e a me esforçar em dobro para cada uma das provas. Graças a isso saí do CR 5,9  para 6,7. Quem está na faculdade sabe que levantar o cr depois que ele despenca é uma tarefa bem árdua, mas eu consegui aumentar e o estabilizei. Infelizmente até chegar nisso, eu sofri vários solavancos. Teve professor que implicava comigo, teve mendigo que me passou cantada podre, tomei fora do cara da xerox (e cantada de dois deles também), "tomei na cara" dos "policiais da história" (que nada mais são que os colegas de classe que ainda estão aprendendo a ser historiadores, mas que quando se sentem em vantagem querem soltar uma pérola para você ficar mal na fita)  e foi onde minha vida afetiva se iniciou também. Dei o primeiro beijo, tomei o primeiro fora de um peguete, consegui fazer parte de um grupo (nunca antes me encaixei em lugar nenhum), conheci alguns tarados (de quem fugia lindamente), fui ao point da garotada, que é a Lapa,- e odiei, porque é mega fedido (tem várias poças de xixi na rua) e pra voltar pra casa ou eu me arriscava nas vans ou esperava até as 5 da manhã para pegar o ônibus- me enganei com algumas pessoas, não fui convidada para casamentos (isso me magoou muito, mas agora vejo que nem dava para ser amiga da pessoa em questão), mas também fiz amigos muito queridos.

O tempo todo que estive na faculdade recebi vários insigths e bolei várias filosofias de vida, que junto com minhas ilusões de juventude foram caindo uma a uma. As tentativas de me reerguer também também foram muito falhas e vacilantes. Uma hora eu me sentia renascer, e na seguinte estava sofrendo de novo.  Meu humor oscilava demais, bem como minha menstruação que junto com a minha estabilidade emocional foi pro espaço. Acho que não foi a toa que demorei para terminar a faculdade. Eu via minhas amigas pegando 8 matérias (cada matérias tinha 4 horas de duração, e por isso quem faz isso fica o dia todo na faculdade) mais monitoria e bolsa de pesquisa e me sentia culpada por não seguir no mesmo pique, mas com um estado emocional tão fragilizado, eu acho que teria surtado.

Nesse momento, acho que estou enfrentando a ultima crise existencial dessa minha adolescência tardia, mas tenho consciência de que consegui olhar pra trás com alguma perspectiva de quem fui e que desenvolvi uma explicação do porque sofri o que sofri. Agora, porém, o problema é olhar adiante. Esse período é o ultimo que vou passar dentro da faculdade como graduanda. Sinto que agora eu finalmente deixei para trás a adolescência e estou começando a definir quem eu sou e o que quero para minha vida, mas ao agarrar o canudo estarei também pegando o certificado do meu "adultecimento", minha passagem para a vida adulta, o problema é que ainda não resolvi meu lado vocacional, porque não quero de jeito nenhum dar aula, mas enfim, um problema por vez né? Matei o leão para me aquecer, o dragão eu mato daqui a pouco depois que eu respirar.

PS: Foi só um desabafo, não estou pedindo que ninguém me dê uma solução, porque acredito que essas coisas a gente tem que descobrir sozinho, não tem jeito. Mas quem quiser pode compartilhar suas experiências nos posts. Obrigada pela atenção.

Alê lemos.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

47 ronins.

Ontem fui com meu irmão ver um filme que há um tempão estava esperando para ver: 47 ronins.

Não imaginava que era baseado em fatos reais,  o trailer com ação, magia e aventura é que me cativaram, pois toda oportunidade para sair da realidade  é bem vinda pra mim. Só que saber que aquilo ali era uma versão da História do Japão teve um outro gostinho. Meu lado historiador anotou a informação para depois poder pesquisar, mas meu lado sensível ficou muito enternecido com a lealdade e a bravura dos ronins, apesar de que no final, quando levaram seus valores ao extremo, não pude deixar de concordar com meu irmão : "esses japoneses são muito doidos!".

Gostaria de discutir mais essa parte dos valores e do final do filme, mas não é bom estragar a surpresa né? Então vou apenas comentar alguns aspectos que notei na trama que foram bem ou mal colocados. 

Durante a faculdade eu nada li sobre o Japão. O que sei desse país é o que aprendi nos mangás e animes que eu lia e via na adolescência e inicio da fase adulta.  Além de algumas palavrinhas, eu aprendi sobre youkais e animais que possuem significados mágicos para o folclore japonês, como o texugo e a raposa. No filme, os samurais destroem um youkai bem no início, que nada mais é que um "demônio" ou melhor um ser sobrenatural que nesta produção toma a forma de um monstrengo que aterroriza vilarejos. Nos animes essas criaturas não são necessariamente más, como o Inu Yasha, por exemplo, por isso que não creio que a associação com demônios judaico-cristãos seja muito correta.

A figura da raposa também é ligada ao espiritual, à magia, e por isso achei bem legal o disfarce da bruxa ser uma raposa branca. O exemplo mais fácil dessa representação é o anime Naruto. Lá tem raposas de 2, 3,4 e até 9 caudas, que de tanta destruição que causaram tiveram que ser presas dentro de ninjas, que com o passar do tempo aprendiam a usar sua magia para incrementar a própria energia chi.

O que não gostei foi da princesa Mika, muito passiva esperando para ser salva. isso soa como algo muito distante na nossa realidade atual, e bem fora dos novos padrões filmográficos que foram invadidos por ideias feministas. É claro que ao saber que na época a mulher realmente precisava ser protegida ( na mentalidade das pessoas) não critico o roteiro, só acho que está meio "far away" do meu gosto. Bato minhas palmas pelo bom aproveitamento do folclore japonês (na minha opinião) e pela atuação do Keanu Reeves, que pela primeira vez pode fazer um personagem humilde, bem ao contrário dos muitos "fodões" que ele fez(aos montes).

Não sei dizer se foi um filme digno de Oscar, porque os critérios do prêmio são meio estranhos para mim, mas com certeza o filme diverte, e a moral desse povo nos põe um pouco para pensar. Até logo pessoal!

Alê Lemos.