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sexta-feira, 23 de maio de 2014

A minha monografia.

Depois da última postagem onde falei sobre os absurdos do cemitério, algumas pessoas se surpreenderam por saber que vou lá para estudar. Então vim hoje contar essa pequena história, de como eu, uma menina não gótica-vampira-religiosa começou a visitar O São João Batista para tirar fotografia de túmulos.

Eu começava o quarto período da graduação em História e resolvi fazer uma matéria chamada "Religião no mundo greco-romano". Eu estava crente,crente que ía aprender sobre os deuses do olimpo, mas quando cheguei lá a matéria era na verdade "Jesus Histórico". Vocês podem achar que eu me senti como alguém que acha no freezer um pote de sorvete e depois descobre que era feijão, e foi mais ou menos assim no início [kkkk]  só que Jesus visto sob o olhar da História é bem interessante e inesperado, então acabei gostando da matéria.

O problema é que o professor era meio mal-humorado (apesar de ser também muito engraçado) e queria que fizéssemos um trabalho monográfico sobre um dos temas do livro dele. Eu ainda me sentia muito crua, então fiquei logo desesperada, mas para minha sorte meu amigo Willian segurou a minha barra, e se não fosse por ele, acho que o trabalho do grupo não teria ganho o único 10 da turma. Durante o semestre fomos (eu e meu grupo) fazendo com calma, e fomos os únicos que cumpriram a regra que o professor tinha estipulado de pedir orientação para escrever essa mini-monografia.

Na primeira vez que chegamos ao galpão, onde ficava o escritório dele, eu estava muito intimidada. Já havia aprendido o quão professores universitários podem ser impiedosos com seus alunos, então deixei apenas que o Will falasse. Nesse dia só fomos nós dois porque o resto do grupo furou, e eu fiquei lá com cara de besta só me impressionando com a desenvoltura do meu amigo, até que o prof pareceu notar minha presença e me perguntou: "E você está pesquisando o quê?". No quarto período alguns amigos já tinham começado a me pressionar para começar a decidir minha monografia, mas ainda não tinha decidido nada sobre isso até o prof André fizesse essa pergunta para mim.

Eu fiquei com aquela cara de quem tinha acabado de ficar acuada e balbuciei fracamente que gostava de Neoclassicismo e que eu queria entender porque em alguns locais da minha cidade, como o Museu da República, faziam tantas referências à cultura greco-romana. Lembro dele ter me perguntado se por acaso eu já tinha tentado alguma coisa com a Martha (outra professora da área de Antiga) e depois ele saiu com essa: "Ah eu tenho uma pesquisa no cemitério São João Batista você gostaria de me ajudar com ela?". Ele me explicou que lá havia muitas sepulturas nesse estilo artístico. Topei na hora, já que eu não conseguia escolher um objeto. Nesse tempo eu já ouvira casos de pessoas que resolveram mudar de tema no oitavo período e morri de medo de ter o mesmo destino.

Fui umas duas vezes com o professor lá no SBJ e um monte de outras vezes sozinha ou com amigas, para fotografar. Mas fui muito zoada pelos amigos. Teve quem me chamasse de "Princesa dos Cemitérios" e quem risse do meu objeto, bem como quem ficasse dizendo que meu orientador queria me pegar numa cova aberta. Acho que na verdade a maioria estava era com inveja, porque eu praticamente ganhei um orientador de presente, enquanto a maior parte das pessoas precisa encher e puxar muito o saco dos professores para conquistar a simpatia deles.

Nunca me senti desrespeitada por ele, muito pelo contrário, sempre me tratou bem e sempre esteve muito disponível para tirar dúvidas e tal. Ele me ajudou muito a confiar no meu trabalho e na minha capacidade, e foi sem dúvida, com sua ajuda, que ontem escrevi a última linha da minha monografia. Ele ainda vai me chamar para conversarmos para que eu possa consertar os erros (estou rezando para que não tenha muitos), mas em junho já estarei livre da graduação e pronta para seguir em frente. Não tenho muitas certezas do que pretendo para mim nos próximos 6 meses, só sei que não quero continuar muito mais tempo pesquisando lápides. Senti-me muito constrangida quando tive que procurar pelos descendentes, quase como se tivesse invadindo a privacidade de alguém.

É claro que se eu permanecer na História inevitavelmente vou ter que lidar com os mortos, mas prefiro não ter que passear pelas lápides deles. Meu trabalho não foi ruim, apesar de nos últimos tempos eu já estar de saco cheio do meu tema, mas não quero ser uma especialista em morte e nem trabalhar com arqueologia. Descobri, que o que gosto mesmo é a arte.

Daqui a alguns meses venho contar para vocês novidades da minha vida profissional, no momento nada está definido, mas quando estiver com certeza vou fazer outro post enorme como este só para irradiar minha alegria.

Um beijo!

PS:curtam o canal dele no youtube, por favor XD
Aqui vai o link do canal: https://www.youtube.com/channel/UClwFuQw9WXAUIyz9IMdKu9A


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Quando descobri que os mortos usam desodorante.


Acho que já mencionei aqui que estudo arte funerária né? Pois é hoje fui no cemitério buscar umas respostas para meu trabalho, e acabei encontrando algumas coisas bizarras, no meio daqueles jazigos lindos e monumentais. É meio triste constatar que as pessoas não respeitam nem a tranquilidade das necrópoles. Tem que abandonar seus lixos por aí. A menina que foi comigo cogitou se encontraríamos camisinhas pelo chão, e depois de assistir o seriado PSI da HBO achei que era bem possível (há cenas de sexo no cemitério e de vampirismo também), mas só encontrei estas coisas aqui:









Gostaria de saber que tipo de gente descarta um desodorante de feira num cemitério de gente rica. Serão as lavadoras de jazigo? Ou será que todo cemitério é meio Pet Cemetery (em português cemitério maldito)? Quer dizer, se os mortos viram zumbis de noite, até que faz sentido eles usarem desodorante. Cheiro de decomposição deve ser tenso.

Mas se não bastasse a estranheza do desodorante, eu também acabei achando uma latinha enferrujada de rapé. Isso é que não faz sentido, porque mesmo que eu quisesse,não dava para acusar um morto de fumar, afinal, para isso é preciso ter pulmões não putrefatos. E fumar num enterro deve ser meio desrespeitoso também, sei lá. Só sei que esse cemitério tem belíssimas peças de arte, mas todas estão sujas, meio quebradas, com plaquinhas derrubadas no chão, e com lagartinhos estranhos correndo por nossas pernas. Mas o mais impressionante dese relato de sucateamento foi esse mausoléu:


Sim, você está certo. O mausoléu está funcionando como armário de bugigangas para o pessoal do cemitério. Bizarro não? Gostaria de saber o que é que eu acharia caso tivesse visitado o outro lado do espaço. A única coisa boa nisso tudo é que me senti menos desrespeitosa com os mortos. Eu achava que estava perturbando o descanso das almas com meus estudos, mas vejo que o que faço é o menos ofensivo dentre as coisas ofensivas que ocorrem lá dentro. Infelizmente porém, no fim dessa minha aventura fúnebre adquiri um hematoma em forma de cruz:

    O que não se passa para se formar né verdade?
Um beijo da menina das ideias!

sábado, 10 de maio de 2014

A morte da Fé

Hoje, eu estava navegando pelo Youtube e por acaso (ou não) no meio do vídeos da Rie Fu (uma cantora japonesa que eu curto) achei um vídeo de uma ex-evangélica fazendo críticas à sua antiga Igreja.

Concordo com ela quando diz que religião precisa sim ser discutida, pois ela interfere nas nossas leis (vide as tentativas de implementar a cura gay e o repúdio ao casamento gay) mesmo que não sejamos seus seguidores, mas o que me identifiquei mesmo foi com esse vídeo aqui:

Nunca fui evangélica, apenas participei de um culto no lar de uma amiga, mas tive o mesmo problema que essa moça ao me desligar da minha antiga religião. Eu não peguei o Livro dos Espíritos e li de cabo a rabo.Por ser adolescente ainda, eu me identificava mais com a narrativa dos romances espíritas, que na minha opinião servem de facilitador da doutrina. Após ler 10 livros desse gênero você já conhece bem a lei da reencarnação, o processo evolutivo, as leis de Ação e Reação, o valor da caridade etc, etc. Imagina eu que li 46 títulos? Minha maneira de raciocinar sobre a vida era 100% kardecista.

As coisas começaram a mudar quando eu entrei para a faculdade. No início eu tentava encaixar os filósofos dentro do plano divino, mas quem faz Ciências Humanas  é obrigado a enxergar a vida humana com lógica, precisa procurar padrões de ações nos rituais e atividades produzidas pela sociedade (eu mesmo estudo rituais fúnebres, no fim de maio pretendo escrever sobre isso) e isso aos poucos minou a minha fé. Mais especificamente falando, meu encontro com ideias de esquerda (ainda mais especificamente Marxistas) durante a faculdade  destruíram minha crença, pois a opinião expressa por Chico Xavier  sobre Marx foi altamente injusta. Ele dizia que cada filósofo tinha tido uma importância para o progresso da humanidade, inclusive Maquiavel, que pregava que o príncipe devia abrir mão de seus escrúpulos em determinados momentos de seu governo. No entanto, Marx foi o único cuja explicação era simplesmente orgulho próprio.  Ele não havia sido importante para nada nesse planeta.

Isso soou muito estranho para mim, lá para 2010. Por mais criticado que ele seja na Universidade, todos reconhecemos a importância que ele teve ao desvendar o Sistema Capitalista. Acredito que se ele não tivesse denunciado que os capitalistas não pagam aos operários o equivalente do valor que os trabalhadores produzem; com o fim de obter a mais valia e gerar o acúmulo de capital, ainda não teríamos direitos trabalhistas. Imagina o dia de hoje sem jornada de trabalho e licença maternidade? Que raio de Deus amoroso seria esse que desconsidera o bem-estar dos filhos?

A pulga ficou muitos anos na minha orelha. Recorri ao Evangelho Espírita algumas vezes para ver o que a doutrina me diria sobre isso, mas lá estava a confirmação dessa ideia: a riqueza é concentrada nas mãos de poucos para que eles invistam no desenvolvimento da tecnologia e do progresso. Dizia também que as desigualdades existiam para que as pessoas aprendessem a ser caridosas. Na minha humilde opinião esse sistema dá muito errado. Quem é rico desvia o dinheiro para o próprio bolso para gastar com iates, cruzeiros, farras e etc (bom a maioria deve fazer, porque se todos os ricos praticassem a caridade, o número de pessoas que morrem de inanição seria diminuto né não? Cadê o dinheiro minha gente?)e também porque o que ,mais se vê é pessoas destratando as outras porque se acham superiores por suas condições privilegiadas. Claro que tem exceções, mas desde que entrei no mundo adulto eu só vejo absurdos desse tipo. Fico cada vez mais horrorizada com o aumento das humilhações que presencio no meu cotidiano. 

Pensando nisso tudo, cheguei a conclusão de que caridade é coisa de quem enxerga o outro do alto de um pedestal. Acho que o certo é lutar pela conscientização das pessoas, para que em um futuro próximo elas consigam aceitar que a melhor maneira de viver, não é com hierarquias, é socializando os direitos humanos, que infelizmente não atingem a todos atualmente por causa dos preconceitos sociais(tipo discriminações raciais e o linchamento daquela doméstica meses atrás). Só que isso me indispunha com a minha visão de Deus, eu não mais o conhecia, não conseguia rezar à noite como costumava fazer e não conseguia ver sentido para o que eu estava vivendo.  Foi realmente como ver alguém morrendo, dolorido demais.

No entanto, eu não estava preparada para viver na incerteza total. Por mais que eu não acreditasse mais na doutrina ultra conservadora do Espiritismo, que acredita em reformar o topo da hierarquia para que haja mudanças sociais,* presenciei alguns fenômenos espirituais suficientes para crer ao menos no princípio da energia. Os cientistas mesmos já provaram que somos seres radioativos (não sei onde li, mas sei que li kkkk) quer dizer, que emitimos algum tipo de energia. Na verdade, tudo que há na Terra é feito de energia, o que diferencia a nossa energia física/material de energias espirituais seria a densidade delas. O pensamento por exemplo é um tipo de energia que emitimos que é mais etéria. Com ele podemos atrair coisas que queremos (sim tô falando da teoria do pensamento positivo que atrai coisas boas) ou mesmo transmiti-los para outras pessoas só que ainda não dominamos muito bem essa área (se você nunca teve um "transmimento de pensação" com alguém, você deve ser bem incomum). A energia, para mim, é o princípio da vida, e provavelmente Deus é esse principio. É a fonte inesgotável de energia pura, amorosa, que por não ser densa pode estar em qualquer lugar, e por isso mesmo dentro de nós também.

É claro que para chegar a ideia de que Deus é amor também foi difícil, era preciso considerar porque tantas pessoas sofrem no mundo se Ele as ama, mas a isso só posso responder com uma pergunta: será que todos sabem se conectar com Ele? Acho meio difícil, porque a maior dificuldade humana que vejo nesta minha cidade e nos telejornais  é enxergar o próximo como um igual (já que Deus está em nós como falei, ele também está no próximo e isso nos tornaria a mesma coisa), e acho que só alcançamos o criador quando pensamos no bem da comunidade, no progresso geral, e não apenas no nosso. Não como dita a caridade da igreja, porque ninguém é simplesmente um coitadinho, mas com o sentimento de unidade próprio das tribos e dos clãs, onde todos se defendem pelo bem comum.

Acabando com o papo metafísico e voltando ao vídeo, concordo com a autora que diz que sofreu muito com a perda da fé, mas também se sentiu livre. Acredito que a religião impõe a perfeição aos fiéis, mas não lhes dá liberdade para que eles a descubram. A comunidade religiosa só faz pressão sobre o indivíduo cuja única reação é mascarar suas imperfeições para ser aceito. É claro que ter uma crença ajuda quando um ente querido falece, quando a vida lhe dá uma rasteira ou em qualquer outra situação negativa que as pessoas venham sofrer, mas  também acaba incentivando a hipocrisia pois incute um comportamento que os indivíduos tendem a reproduzir apenas quando estão naquele grupo. É por tudo isso que hoje afirmo que meu lado espiritual se desenvolveu muito mais do que quando eu era religiosa.

A única coisa que discordo dessa moça é na questão que ela levantou do livro dos espíritos. Achei realmente muito fútil a questão de adivinhar o objeto. Isso não prova existência de espírito nenhum. Há muitas formas de descobrir qual era o objeto sem ajuda alguma do sobrenatural. Se o médium estivesse de costas para a pessoa mas de frente de uma janela, por exemplo, ele poderia descobrir pelo reflexo, ou por sms de um cúmplice, entre outras formas de vigarice com as quais os mágicos tem nos enganado por todos esses séculos. Quanto ao jogo do Ouija, posso dizer, com base num romance espírita chamado "copos que andam" que o Espiritismo também o considera supérfluo e recriminável, pois somente "espíritos sugadores de fluídos" (tipo assim: os encostos) que ficaram presos à matéria é que respondem aos chamados do Ouija e outros jogos de cunho sobrenatural. Eles sentem tanta saudade de estarem na matéria que se aproveitam dos jogadores para vampirizar suas energias ou influenciá-los negativamente. Não sei ainda se acredito nisso, mas essa foi a explicação espírita que encontrei para o tema.




*Por que a minoria iria querer ser reformada? Para perder poder? É mais fácil reformar o povo que é maioria e pode pressionar as mudanças.

domingo, 4 de maio de 2014

Diários de uma tia.

"Diários de uma tia" é uma série que eu costumava publicar no meu antigo blog. Nela eu contava minhas aventuras como tia de primeira viagem, e mostrava que não é só a mãe que padece no paraíso. As tias é que se divertem mais pentelhando as crianças, sentando para brincar com elas, ensinando palavrão [não sou uma tia politicamente correta]e  criando bichinhos de massinha para entretê-los.

Sempre que ele vem passar o final de semana aqui em casa eu  ouço algo fofo. Teve uma vez que ele dormiu e eu saí, quando voltei ele correu para me abraçar todo feliz gritando meu nome, mas no dia seguinte eu não podia chegar perto da porta  que ele me parava e dizia:"você está muito levada comigo, tia Alê!". É claro que em meio a tanto amor tem as mal-criações também, mas ele esquece tudo rápido depois de uma soneca.

Ele nunca foi um bebê muito comum, quer dizer comparando com as outras crianças que conheci. Na primeira vez que colocamos um show do eric clapton para ele, assistiu o dvd do início ao fim, e até tinha uma música preferida desse show que já não me lembro mais qual era. Aliais ele adora música. Meu irmão jura que ouviu o filho bater palma no ritmo de uma música que estava tocando na tv,certa vez. Mas além disso, ele é muito alegre  e obedece quando a gente explica porque que quer que ele faça alguma coisa. Também não é muito de brigar. Quando outras crianças batiam nele ficava todo magoado, mas apesar disso, está longe de ser um anjo. Como corre de um lado para outro o tempo todo!

Mas o mais interessante nele, é que com apenas 3 anos ele já tem senso de direção. Ele grava caminhos com facilidade, tipo quando pegou a avó pela mão e guiou até o parquinho que ele frequentava com a mãe no shopping. Fico assustada com isso, essas crianças parece que nascem com um chip de computador na cabeça! O do meu pequeno é um gps [risos], mas tem uma garotada que já nasce sabendo mexer em computador é impressionante como se adaptam as novas tecnologias.

Nos livros que li dizia que a partir da década de 2000 nasceriam crianças cristal, que eram pessoas com um perfil diferente e com uma grande missão nesse mundo. Não sei bem desse negócio de missão, mas que eles parecem pokémons evoluídos ah eles parecem!

E você? tem um anjinho em casa?