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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Trilogia Shiva 1- Os imortais de Meluha.




Autor: Amish Tripathi
Ano:2014 (em português)
Editora: nVersos.


Resumo do SkoobOs Imortais de Meluha - Os Imortais de MELUHA, primeiro volume da Trilogia SHIVA, é mais um lançamento da nVersos Editora e marca o início da história de Shiva, um homem que viveu cerca de 4.000 anos atrás, cujas aventuras eram tão grandiosas que as pessoas começaram a pensar nele como um Deus. A terra de Meluha, criada por um dos maiores monarcas, Lorde Rama, é um império cercado de perigos e ameaças, como a extinção do rio Saraswati reverenciado pelo povo, e que agora está lentamente secando. Eles também enfrentam ataques terroristas devastadores vindos do leste, a terra dos Chandravanshis. Para complicar ainda mais as coisas, estes parecem ter se aliado aos Nagas, uma linhagem de verdadeiros guerreiros que vivem à parte da sociedade em razão de suas deformidades físicas. A única esperança para os Suryavanshis é uma antiga lenda: Quando o mal atinge proporções épicas, quando tudo parece perdido, quando parece que os teus inimigos triunfaram, um herói vai emergir. Shiva é um rústico imigrante tibetano ou realmente esse herói? E afinal, ele quer ser esse herói? Desenhado de repente ao seu destino, por dever, bem como pelo amor, vai Shiva levar a vingança Suryavanshi e destruir o mal? Este é o primeiro volume da trilogia sobre Shiva, o homem simples cujo carma o transformou em o Deus dos Deuses.

 Na capa há várias opiniões positivas sobre a trilogia e a que me chamou mais a atenção foi a do "Hindustan Times", que comparava a obra com "o Senhor dos Anéis" de Tolkien. ]

Não sei qual a importância de Amish para a literatura da Índia, talvez ele acabe mesmo virando um clássico como a "Saga do Anel", mas acho a narrativa de Amish mais parecida com a de Bernard Cornwell. Digo isso, porque pelo pouco que li do Tolkien não vi personagens femininas tão fortes quanto a princesa Sati ou estratégias de batalhas tão ricas (a Batalha dos 5 exércitos por exemplo, é totalmente improvisada e definida pela chegada das águias, na minha opinião). Já em Cornwell, há muitas mulheres inteligentes, batalhas inteligentes e conversas filosóficas sobre a fé, a religião , a sociedade etc, assim como em "Os imortais de Meluha". 

É claro que o charme da história é a pegada oriental de Amish, que nos explica o sistema de castas, a formação do símbolo  sagrado do OM, sobre os rios sagrados da Índia, sobre os vikarmas, sobre os diferentes povos que viviam no território que hoje conhecemos como "Indía" e sobre a profecia do "Neelkath". Sobre isso, bem, os povos que viveram após Lorde Ramma e Lorde Rudra acreditavam que um estrangeiro beberia do "Somras" (uma espécie de elixir da juventude) e ficaria com a garganta azul, e por isso ele seria o destruidor do mal. Para quem não sabe, os deuses hindus muitas vezes são representados na cor azul para representar sua evolução espiritual, então, uma garganta azul quer dizer muita coisa não é? E é dessa forma que Shiva, um lider tribal tibetano que entra no território Suryavanshi, vira um lorde, ou melhor um Mahadeva.

Shiva me surpreendeu muito por não ser o tipo de herói comum na literatura ocidental. Quer dizer, ele até tem um trauma do passado que consome sua consciência e não aceita de cara sua missão, mas ele se destaca por ser alguém que busca crescer e ser justo, ético (me identifiquei) e é contestador, apesar de humilde. Ele valoriza pessoas que vivem de acordo com a lei de Ramma, mesmo que não gostem dele (Shiva) e com tudo isso (mais a sua inteligência e intuição em batalha) vai conquistando  a todos e descobrindo a verdade por trás dos discursos mal intencionados.

A única coisa que não entendi foi o deslumbre do herói com a Sociedade dos Suryavanshis. É claro que uma sociedade com medicina avançada e que mulheres tem a opção de quererem exercer qualquer profissão é legal, mas o sistema Maika, a lei dos vikarmas e as castas me pareceram chocantes. Desde o início achei muito estranho aquele papo do imperador Daksha para convencer Shiva de que eles eram uma sociedade ideal, mas enfim eu sou ocidental né? É claro que a cultura brâmane me pareceria estranha, mas mesmo assim, eu achei apaixonante essa leitura. A história é contada lentamente, mas não dá para se entediar porque volta e meia tem umas cenas fortes de luta, intercaladas com questionamentos filosóficos, bem como a sustentação do suspense e da rivalidade entre as nações até o ultimo instante.

Estou bem ansiosa pelo volume 2 "O segredo dos nagas", que em breve chegará para eu resenhar também.

sábado, 23 de maio de 2015

Luto.

















Quando um pássaro foge da gaiola, lamenta-se a falta do canto, da companhia. Sofre-se pelo carinho que não termina,
verte-se rios de dor.

Não se engane, porém, passarinho. Nós sabemos que você se realizou.
Na liberdade, vai viver em plenitude
e de nós se lembrará com carinho.

Aleska Lemos.


PS: Esse poema eu fiz agora há pouco em homenagem a minha avó paterna e ao resto da família que começa hoje a sentir sua falta.

sábado, 16 de maio de 2015

Blogagem Coletiva da Ana Paula


Quando eu li a imagem acima achei que essa Blogagem coletiva seria uma "metalinguagem", porque é assim que se chama quando usamos uma linguagem para falar de si mesma. Só que a proposta da Ana Paula é falar de amizades virtuais, e se elas são possíveis, em homenagem à blogueira Chica.

Bom, por meio deste e de outros blogs que já tive, conheci muitas pessoas. É claro que nem todas ficaram íntimas, algumas vieram e foram deixando saudades, como a finada Cris Henriques, ou não (no início eu ainda comentava em blogs de que não gostava só para ficar popular, coisas da adolescência), mas posso dizer que obtive sucesso com muitas amizades virtuais, pois com algumas mantenho o contato até hoje e com outras fiz alguns livros.

A própria idealizadora Ana Paula é uma pessoa que acompanho há muitos anos. Seus textos sempre me encantaram por causa da facilidade com que captam a beleza das coisas simples, e também por causa da maternidade palpável neles. Acho que virei seguidora de graça e um belo dia fiz um sorteio e a Ana ganhou, o engraçado é que antes de realizá-lo eu tinha pensado que serviria muito bem para os filhos dela. Qual não foi a minha surpresa quando ela me enviou um livro pedindo que eu lesse para discutir com ela! Infelizmente essa discussão nunca aconteceu (por minha culpa eu sei...) mas guardei o cartão e o livro com carinho e senti naquele momento que eu tinha uma amiga. Os comentários dela neste post são sempre espontâneos e acrescentam bastante na minha vida. Acho que só ela e o Renato Russo tem o dom de profetizar as coisas que eu descobri na vida. Muito feliz por ter esbarrado no seu blog Ana!

Mas além dela eu não poderia deixar de mencionar a Pandora,  o Alexandre, a Michele, o Rafael, a Marise e toda a equipe do blog "o que tem na nossa estante" que são grandes parceiros e amigos na vida real. Gostaria também de lembrar da Valquíria Paula, da Marina Carla, da Rosélia, da Roberta Aline que fizeram parte da coletânea de contos sobre violência contra a mulher que publiquei esse ano no wattpad. Todas habitam no meu coração por terem se voluntariado a participar de um projeto tão difícil por quererem me ajudar e por terem vontade de fazer a diferença. Vocês são umas tchutchucas!

E o melhor de tudo é quando a gente vê que existe carne por debaixo dos nicknames. Desvirtualizei poucas vezes é verdade, mas é uma sensação muito boa.  Passar 3 dias conhecendo outra cidade na companhia delas ou ser convidada para um chá da tarde e ser tratada a pão de ló é tudo de bom. E você tem amigos virtuais?

PS: Não sei se amigos que não tem blog contam, mas o meu amigo mais antigo da internet é o Alano. Não sei como até hoje ele me atura, mas temos uma história legal. Começamos a nos falar pelo orkut trocando várias ideias sobre animes e mangás e depois eu recomendei um monte de livros para ele. Anos depois ele é quem é o viciado por livros e me dá várias dicas de leitura kkkk ( O mundo dá voltas queridinha!).

PS2: Não sabia em qual grupo encaixar, então coloquei ela aqui também: A Sheila! Quem eu seria sem as receitinhas práticas da Sheila? Serei sempre a sua formiguinha numero 3 kkk. Devo muito a você que comprou postais pra mim e me deu uma pelúcia tão fofa como a sua alma.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Introspecção


Não é bem tristeza, nem raiva.
É falta de conexão. Aquelas coisas de antes
Não animam mais,

As conversas não despertam
Tanto interesse. 
Do alheio sou apenas uma observadora.


Do social nada mais sei, nem fingir sorrisos
Ou declarar o que não sinto. Acho até que aparento frieza.
Só que a alma é assim:se divide e precisa se reunir num ciclo infinito. 
Precisa de espaço do externo, 
Para reconectar suas fibras. 
E que doçura voltar à unidade! 
Encontrar prazer dentro de si
E se descobrir mais uma vez.
Como é bom viver!
Aleska Lemos. 13/ 5/ 2015 do celular.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Crônicas de 1/4 de século#001

Apesar de não ser o primeiro post em que menciono a minha idade, vou colocar como sendo o primeiro para oficializar a série ok? Então vamos lá ler a minha teoria maluca:

Outro dia escrevi um post sobre minha crise vocacional e alguém comentou uma coisa que me ajudou muito: a vida é bastante tediosa mesmo, coloque na sua rotina algo que lhe dê prazer que ajuda muito. A partir daí fiz uma retrospectiva e percebi que depois que entrei fisicamente (falo assim, porque mentalmente entrei bem depois) na vida adulta, lá pelo 4º período da faculdade, e as preocupações profissionais começaram (porque até então só pensava em sobreviver às disciplinas), não consegui mais me desligar completamente dos deveres, não podendo assim curtir períodos de paz e plenitude como nas férias da infância. Estava sempre preocupada com a monografia e em como poder melhorar como historiadora (era meio excessivo, mas como tive muita dificuldade de adaptação era uma preocupação constante) que até hoje não consigo mais "entrar em alfa" como adorava fazer.

Aí, junto com umas desilusões saudáveis que sofri concluí que a vida é realmente um bocado tediosa, mas a gente sai veiculando por aí ideias grandiosas como o "alma gêmea","ser mãe é padecer no paraíso", "o sangue fala mais alto"* entre outras coisas, para se distrair mesmo e manter a esperança de dias melhores. O problema  (ou não) é que os jovens acreditam e vivem procurando esses mitos, e quebrar a cara acaba sendo inevitável. Minha mãe acredita que faz parte da vida quebrar a cara e descobrir que o amor (o sexo também) é bom, mas bem diferente do que se propagandeia por aí, e talvez seja mesmo quem sabe? O fato é que para lidar com essa desilusão, eu percebo que as pessoas deste tempo ficam viciadas no entretenimento, para fugir de si mesmas. Estudando Eisenstein e Griffiths (teóricos do cinema), percebo que o segundo entendeu bem essa necessidade, enquanto que o primeiro tinha uma intenção até muito interessante, que é de fazer as pessoas pensarem sobre sua condição social, mas não percebeu, que se desligar da realidade é um movimento necessário (ao meu ver), para se livrar do estresse e esquecer-se de si. Não tiro o mérito de Eisenstein, se ficarmos só nos divertindo e esquecendo de pensar não melhoraríamos nada nesse mundo, mas acho que todos têm o direito de viajar na maionese quando tiverem vontade, porque ser engajando cansa, né?

Porém, além do entretenimento, as pessoas encontram outros tipos de fuga: os vícios. O vício diminui a nossa longevidade, mas nos permite um alívio temporário (tipo o cigarro ou o chocolate, para quem é viciado no hormônio da felicidade) ou mesmo entrar num estado de consciência alterado em que se esquece temporariamente o problema ou que nos permita externar nossas raivas sem aquela trava conhecida como "auto-censura" (como as drogas e o álcool). Aliás, acho que até a paixão pode entrar nessa categoria de mudança de estágio de consciência, porque certa vez vi na tv que a parte do cérebro ativada pela paixão é a mesma que a que é ativada com as drogas. Talvez seja por isso também que muita gente não saiba ficar sozinho, porque aí tem que voltar para a realidade e parar de enxergar as coisas como se tudo fosse cor de rosa.

Minha conclusão disso tudo é que nada nessa vida é perfeito, nem 100% maravilhoso, e felicidade são pequenos momentos eventuais que precisamos viver para ter coragem de viver mais dias tediosos até o próximo momento feliz. No intervalo entre um e outro a gente aproveita a magia do cinema, da literatura, da comida, do cigarro, do álcool e das coisas ilícitas. Quem tem na alma a poesia, tem uma ferramenta especial, porque qualquer coisa pequenina pode melhorar o seu dia, agora as que não têm precisam de um pacote do Netflix ou uma boa internet banda larga para suprir a sua necessidade de higiene mental.


* Cito isso porque nem toda família se ama né? Família unida é difícil, mas mesmo assim essa ideia do sangue é massificada na nossa cabeça. Não condeno a instituição, aliás nesse mundo em que vivemos, ter uma boa relação familiar pode significar um oásis da realidade.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

7 coisas

Olá! Essa semana recebi um convite para uma tag e me interessei pela tag que a Pandora fez, então resolvi responder as duas num post só vamos lá:









7 coisas que mais falo:

"Disponha"
" é lamentável!"
"será? será!"
"não namoro cancerianos"
"De fato"
"mega" (mega legal, mega cansada, mega triste etc)
"Adonde vas tan temprano?" (sempre falo isso quando meu irmão sai de casa. Repetíamos muito essa frase no curso de espanhol)

7 coisas que faço bem:

(Agora ficou difícil)

ter ideias doidas,
memorizar coisas que vão cair na prova,
brigadeiro,
panquecas,
sorvete de doce de leite,
bagunça,
imaginar histórias.


7 coisas que não faço bem:

arroz (sempre queimo ou deixo ficar papa),
guardar segredos, 
trocar fraldas geriátricas,
parcerias duradouras,
maquiagem,
pintar as unhas,
escrever músicas.

7 coisas que me encantam:

filmes infantis,
fotos de bebês,
videos de animais,
livros infantis,
generosidade,
pérolas do meu sobrinho,
pinturas de madonnas.

7 coisas que não gosto:

Maracujá,
rímel,
aranhas,
burocracias,
louça suja,
filmes de ação,
ter vício de ficar conectada o dia todo.



Tag do blog "Atrás da penteadeira".

Bom, eu não vou colocar o selo do blog porque não estou afim de seguir as regras kkkk (acordei rebelde). Mas vou responder as perguntas que a Valquíria me fez:

1 - Qual o seu estilo musical preferido?
Bom, eu gosto mais de música internacional. Rocky, Pop, Jazz e blues são muito legais de ouvir.
2 - Qual peça de roupa é sua queridinha no momento?
É uma blusa branca num estilo meio hippie.
3-  Qual de seus esmaltes é o mais divo? Marca e cor.
Esmalte? O que é isso? kkk não pinto as unhas com frequência, só para festas mesmo (quando insistem muito).
4 - Short ou saia? Por quê?
Saia. Não sei porque exatamente, short não levanta, está na moda e deixa a bunda empinada, mas eu prefiro a saia assim mesmo kkkkk.
5 - Cabelo liso ou cacheado?
Olha eu acho cabelos cacheados lindos, mas como são difíceis de domar, eu prefiro fazer um progressivão.
6-Salto ou sapatilha?
Sapatilha, com toda certeza. Elas machucam, mas não me fazem pagar mico.
7 - Brigadeiro ou sorvete?
Sorvete. Brigadeiro só quente.
8 - Doce ou salgado?
Doce. Por mais enjoativo que seja, eu preciso comer um pouquinho sempre.
9 - Como você define seu estilo?
Meu estilo de vida? Se for, eu sou meio lady  (tô podendo hahahaha).
10 - Você é do tipo de mulher consumista ou só compra o básico?
Consumista. Não posso ver um livro na promoção que lá vem a tentação.
11 - Você se considera muito vaidosa?
Sou vaidosa em algumas coisas.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Primeiro dia de estágio.

Durante a graduação inteira eu temi fazer o estágio em sala de aula, tanto que larguei duas vezes a licenciatura, mas esse ano eu me prometi experimentar as coisas antes de dizer que não gosto, logo cá estou eu acompanhando o pessoal do ensino médio num colégio do Estado.

Era para ter começado em março, mas a minha faculdade não fez o seguro dos alunos e parece que sem isso, nenhum estagiário pode observar as turmas. Porém esse não foi o único motivo, pois a burocracia e o meu desânimo foram empecilhos bem grandes para que esse momento acontecesse, no entanto, finalmente aconteceu e.... tchantchantchantchan: foi bem legal.

Saí de casa, enfrentei o pesadelo enlatado do BRT e depois fiquei esperando o professor chegar, na salinha dos professores. O corpo docente me pareceu bem simpático e meu professor da prática (apesar de ser da universidade rival da minha) me deixou bem a vontade. Não fizemos muita coisa ontem porque as provas reapareceram (antes da licença paternidade o inspetor avisou meu professor de que as provas tinham sumido) e precisaram ser corrigidas e entregues para saber quais alunos iriam para a recuperação. Então lá fui eu linda e bela corrigir provas. Agora, imagina você uma recém-graduada saindo da academia ainda com todo o rigor do conhecimento universitário se deparar com provas escolares?  A sorte é que eu tenho bom humor, e como eu ri das pérolas que eles escreveram! É claro que não foi uma atitude caridosa, mas foi inevitável. Os alunos dominam a arte de enrolar para tentar receber um mínimo de pontos, mas às vezes escrevem as maiores besteiras tipo isso:

1) O que são as cidades-estados ou pólis?
Resposta do aluno 1: Lugares.
Resposta do aluno 2: Pólis são escravos.

2) O que aconteceu na Revolução de 1917 na Rússia?
Resposta: Os bolcheviques tiraram o socialismo.

Eu ri porque a comparação com meus anos de especialização foi inevitável, mas não acredito que eles sejam burros por isso. Acredito que na verdade muitos ali não quiseram estudar para a prova por não sentirem que aquele conteúdo seja importante, como muitos autores da pedagogia já falaram, Aliás dá para sentir pelas provas quem estudou realmente e quem não leu nada,mas o verdadeiro problema é que esses alunos não sabem se expressar através da escrita. Teve um que me explicou certinho o que era a cidadania ateniense, mas como a questão pedia para diferenciar Atenas e Esparta e desta ultima pólis ele não falou nada (e nem explicou que estava falando de Atenas) acabou tomando um zero na questão (não me culpem é critério do professor). Eu dei um dez, um zero e uma verdadeira chuva de notas baixas, mas gostei dos alunos, principalmente os do primeiro ano que são mais espontâneos.

Aliás eu tenho que contar sobre a aula do primeiro ano. Nas duas turmas de terceiro ano não conversei com ninguém, (exceto a aluna que disse ter mudado de sexo para ficar com o 10 do colega) mas depois do recreio quando o prof R foi conversar com a diretora e eu dei de burros n'água na biblioteca, fui esperar o professor na sala da 1001. Quando cheguei lá a turma estava concentrada na porta porque os alunos do dentro não queriam deixar os que estavam fora entrar. Quando me viram começaram a gritar: "II tem professora nova!"  e começaram a me fazem um catatau de perguntas. Depois que expliquei que era estagiária eles voltaram a bater na porta gritando que tinha estagiária querendo entrar e os meninos de dentro ficaram com medo de tomarem esporro e finalmente abriram a porta.

Eu acabei não entrando porque assim que o garoto abriu o pessoal de fora entrou já dando uns tapas nos de dentro. Era menina com menino, empurrão pra lá e pra cá tapas, risos e eu apenas fiquei olhando com aquela cara de susto como quem diz: "What the fuck?". Fiquei na dúvida se deveria dar esporro, mas como ainda não conheço a turma fiz o que  uma amiga disse: "Deixa eles se matarem" kkkkk mas rapidamente a confusão acabou. Quando o professor chegou, e começou a somar os pontos das provas, fiquei conversando com uma menina tímida que estava doida pra saber se dou aula particular. Tentei explicar a ela como se responde as provas para que não tirasse nota ruim de novo, mas acho que o caso dela e de outros alunos só se resolveria com um reforço nas aulas de redação e interpretação de texto.

No fim da aula, quando todos já tinham suas notas o prof R começou a falar de Idade Média.Ele pediu para que os alunos dissessem o que eles já sabiam sobre o assunto e foi escrevendo no quadro:

                                                        Idade Média

Castelos,
princesas,
dragões,
magia,
armas (porque as crianças tem fascinação por isso hein?),
igreja,
arquitetura,
cultura etc.

Como o professor tinha dito que gostava de participação eu levantei a mão e disse: "formação da cristandade" porque sabia que era um ponto central da matéria, mas o engraçado foi a reação das crianças:"nossa!" como se fosse uma coisa do outro mundo. Quando eu falei de feudalismo teve um garoto que disse: "Ah esse fui eu que falei!" como se eu tivesse colado dele kkkk. Nesse ponto acabei lembrando da minha turma da escola, certos engraçadinhos a gente encontra em qualquer lugar, seja na escola pública, seja na particular não é mesmo? Mas a pérola do dia foi quando o professor perguntou:

"Magia e dragão existia mesmo na idade média?"
Aluno engraçadinho:
"-Existia sim! Num tem aquela série lá que a mulé tem dragão de estimação?"*

Admirei o professor nessa hora. Ele não tirou a razão do aluno apenas disse que aquelas coisas existiam apenas no imaginário das pessoas. É preciso ter muita sensibilidade para lidar com os estudantes, porque enquanto não desenvolvem a personalidade tendem a se sentir muito incapazes quando criticados.

Bom, espero que a experiência continue sendo boa até eu completar as 300 horas. Um grande beijo!

Alê Lemos.




* Daenerys Targeryan em Game of thrones.

domingo, 3 de maio de 2015

Fazer coisas bonitas.

Desde pequena eu adorava criar coisas bonitas: pegava um papelão velho, colava nele papel branco, fazia uma moldura com papel de presente e adesivos e pimba: lá estava um cartão de aniversário, um porta retrato ou um desenho emoldurado pronto para fazer alguém sorrir.

Ah que prazer que me dava fazer cada um deles! Criar é uma coisa muito legal e descobrir formas diferentes de criar é ainda mais empolgante. No início eu só desenhava e fazia colagens (tinha até um saco gigante cheio de material que deveria ir para o lixo, para reaproveitar), mas aprendi a fazer biscuit por conta própria, tentei costurar algumas vezes (mas nunca deu muito certo) e aprendi a pintar. Tudo isso me dava um prazer enorme, tanto na hora de fazer quanto na hora de apreciar. É como se a arte me limpasse por dentro e me trouxesse plenitude.

Hoje em dia tenho pouco tempo para fazer essas coisas e perdi a paciência, ou talvez o afeto que me motivava. Ao invés de criar, cá estou eu estudando pra caramba para ter carreira acadêmica, falando sobre pintura e cinema (não deu para me afastar muito da arte no fim das contas), e todo o dia tenho que me lembrar porque estou fazendo isso, já que é uma coisa que me dá tanto tédio. Tem uma hora que a gente não consegue mais estudar, quer apenas que a vida comece e que se possa sair da teoria para a prática, mas a essa altura do campeonato, já nem tenho mais perspectiva de futuro. O que eu seria se não fosse acadêmica? Devo engolir o tédio e seguir em frente?

Gostaria de ter aprendido a seguir minhas próprias ideias mais cedo, ter tido mais conhecimento sobre mim mesma antes dos 20 para agora não estar tão frustrada e indecisa. Enfim, invejo a época em que eu sabia o que me realizava: criar beleza, criar objetos que inspiram um prazer afetivo nas pessoas.

Enfim, falei, cuspi o que estava entalado.

Alê Lemos.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Dormir fora de casa.

Quando eu era criança dormi muito poucas vezes na casa de outras pessoas. Acho que no máximo dormi na casa do meu tio materno ou na minha tia paterna. Minha mãe não gostava muito de deixar porque é muito desconfiada, mas conforme os anos foram passando acabei rompendo essa barreira. Acho inclusive que foi algo natural, porque se não eu não poderia ter feito um monte de coisas que só se faz a noite.

Mas enfim, o que que isso importa para vocês leitores?Bem, não sei se importa, só sei que concluí uma coisa e queria compartilhar: por mais que estudemos num mesmo modelo de escola, termos costumes tipicamente  brasileiros, cariocas, latinos e por aí vai, cada família tem uma cultura própria. Todas as pessoas vivem a cultura de seu povo de jeito particular: umas tem pavor de sujeira e te deixam meio constrangida de deixar uma chave sequer fora do lugar, mas dão a própria cama para que você não deite no chão. Algumas querem que você entre na rotina da casa, enquanto outras se desdobram para saber como você toma o café da manhã em casa para não estranhar o hábito da família. Outras querem conversar de madrugada e acordar super tarde e te tratam como se fosse da casa, e algumas a gente tem que tomar muito cuidado para não ofender (isso inclui comer tudo que a pessoa cozinha kkkk).

Eu gosto dessa experiência sabe? A gente acaba conhecendo melhor as pessoas e fica mais íntimo. Intimidade é uma coisa legal, (em parte, pelo menos) acho que sempre busquei ter intimidade com as pessoas, porque este é o primeiro passo para construir o afeto, mas ao mesmo tempo fico pensando em como somos mais individuais que congregacionais. É por isso que às vezes me pergunto se nacionalismo é uma categoria que faça sentido, já que não tem o poder de definir milhares de famílias diferentes (imagina tentar colocar famílias do Acre na mesma classificação que famílias daqui do Rio?*).

Dedico a todas as famílias que me abrigaram da chuva (chuva por aqui é coisa séria: alaga tudo e causa sérios deslizamentos), que me impediram de pegar ônibus em horários impróprios entre outros motivos. Obrigada mesmo pela mãozinha e pelo conhecimento que me passaram. Um grande abraço!
Alê Lemos.

* Quero frisar que só estou falando da diferença de hábitos hein? Nada de achar que estou colocando meu estado acima dos outros.