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sexta-feira, 4 de março de 2016

Uma visão de mundo.

Um dia desses, minha mãe me disse que minha escrita ainda era muito imatura. Não que ela ache que eu seja péssima no português, mas achava que eu não estava preparada para ser escritora por causa disso. Fiquei pensando se por acaso eu não serviria para escrever histórias infantis, como a Pandora vive me dizendo, e que ao invés de uma falha, a minha imaturidade não seria por acaso o meu estilo.

Essa questão poderia ter sido encerrada aí, se por acaso eu realmente quisesse ser uma escritora infantil. Na verdade, contrariando todos os conselhos sobre mercado editorial que já recebi, eu não faço ideia de para quem eu escrevo, além de mim, é claro. Escrever sempre foi uma maneira de me expressar e não de ganhar dinheiro (por mais que eu sonhe às vezes em me sustentar assim , já que não sinto que sirvo para qualquer outra coisa). Quer dizer, até já fiz alguns livrinhos infantis (recentemente fiz um para o meu sobrinho) e algumas aventuras com princesas pouco convencionais para pre-adolescentes, mas a perspectiva de ficar presa a esse público não me agrada. Acho que tenho outras coisas a dizer que não se restringem apenas as pequeninas.

Assim pensando, resolvi esquematizar minha experiência de vida, em busca de uma visão de mundo, algum aprendizado que eu tenha acumulado em todos esses anos que valha a pena ser transmitido para outras pessoas. O problema é que eu tinha me prometido tentar não ser muito polêmica por aqui para não ter que ficar dando muita explicação ou ter que ficar lendo muita agressão também, mas um dos meus aprendizados mais importantes diz que não devo me esconder então lá vai:

Quando uma pessoa diferente nasce, ela enfrenta muitos problemas. O primeiro deles é ter que se adaptar constantemente a uma realidade que ela não gosta. O segundo é esbarrar em pessoas pouco compreensivas que vão te dizer que está compreendendo as coisas de maneira errada e que só há um modo de se resolver os problemas da vida (mesmo quando a matemática mostra que não). O terceiro e mais preocupante problema é quando, depois de tanto se adaptar, você já não tem mais tanta certeza se o pensamento é seu ou se é de outra pessoa. Essa questão é a famosa crise existencial.

Uma vez li na internet que o mal da classe trabalhadora é criar os filhos para que saibam obedecer. Isso ao invés de estimular seus potenciais, prepara as pessoas para o mercado de trabalho, para sobreviverem apenas. Ninguém tenta estimular os filhos a serem eles mesmos e a realizarem seus sonhos, nós apenas queremos que eles se insiram na lógica do capitalismo para que um dia tenham mais do que já tivemos. E aí reside o problema, que Paulo Freire chamava de "educação bancária", porque ensina aos jovens que ser é menos importante que ter. Se você não tem um bom emprego, uma boa casa um consorte, um filho, um carro, uma empregada e condições para viajar periodicamente você é fracassado. Note: não é só objetos que a gente precisa possuir, pessoas também são objetos importantes dentro do sonho de realização do capitalismo.

Aí para realizar esse sonho de consumo, você fica confinado a maior parte do seu dia num local de trabalho que provavelmente você vai odiar. É claro que sempre tem aquele sortudo que trabalha naquilo porque gosta, mas ao fim do dia nem ele vai estar tão disposto assim par atender as  outras necessidades de sua alma. O que ele vai fazer? Vai fazer sexo, ou vai ver TV  e para quem tem obrigações em casa, vai cuidar dos filhos e do marido (da mãe ou do pai também, às vezes). O essencial, porém, é que ele vai tentar esquecer de si no Netflix, no JN ou na TV a cabo e vai viver forever na mesmice.

Porém, "a vida é uma caixinha de surpresas" ao melhor estilo Joseph Climber. Quando você desapega do sonho de consumo/realização pessoal capitalista, você entra em contato com a verdadeira pessoa que existe em você, só que não é algo fácil. O sistema se baseia na acumulação de capital e na livre iniciativa individual, então é muito importante que ele te mantenha competitivo , acumulando e sempre querendo que você deseje mais. Ele promove a insatisfação constante, criando padrões de beleza, desigualdades sociais,  raciais e de gênero (ou incentivando o preconceito em geral) para que todos queiram ser algo que não são e gastem dinheiro em prol dessa busca interminável.

Eu considero que o Marketing seja a principal ferramenta nesse sentido, porque eles estão sempre tentando nos convencer a comprar o que não precisamos, mas também não é pra usar o povo da área como bode expiatório. Só acho que quando eu for escrever, quero tentar ajudar as pessoas a enxergarem que estão amarradas a convenções erradas e que elas precisam Ser e ter força para sonhar e correr atrás de uma felicidade menos materialista e mais espiritual. Acho que só dessa forma, libertas do ideal da acumulação que poderão abraçar o ideal da colaboração, em outras palavras, quando se liberta uma pessoa (assim espero) ela tende a ficar mais atenta as necessidades do grupo, da sociedade e passa a se pensar como uma abelha na colmeia que precisa cooperar com o bem coletivo.
Bom acho que isso é tudo por esta madrugada.
Bons sonhos morceguinhos!