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segunda-feira, 25 de abril de 2016

QIcracia: O Sistema do Quem Indica.

Sabe, nesse clima atual de discussões acaloradas tenho ouvido muito sobre meritocracia. Muitas pessoas andam falando mal de programas sociais do governo porque eles tornariam os pobres num bando de vagabundos e desestimularia  as pessoas de buscarem melhores condições de vida para si.

O argumento dessas pessoas é que a competição é o que estimula o ser humano e que por isso elas mesmas forma capazes de vencer na vida. Elas constroem uma narrativa sobre si mesmas que nos fazem ter lágrimas nos olhos perante as dificuldades que passaram e dizem ter conseguido tudo sozinhas, mas isso é mentira. No mundo de hoje, ninguém consegue nada sozinho.

É fato conhecido que o que gera a oportunidade é ter um "Quem Indica", uma pessoa que nos apresente a um círculo do qual queiramos participar, uma conexão. O linkedIn está aí para provar isso. Se você não tem um contato, precisa fazer o dobro do esforço e mesmo assim, mesmo se você tiver vários certificados na sua pasta, pode acabar perdendo uma vaga de empregou ou uma promoção para outra pessoa que tenha esses "conhecimentos"/contatos.

Em outras palavras o "mérito" é o que menos importa para vencer na vida. Você só cresce se tiver inteligência emocional e interpessoal e colecionar amizades que possam ser úteis para o futuro. Desde colegas de profissão à pessoas acima de você na hierarquia, como políticos e familiares bem posicionados na sociedade.

É claro que não podemos esquecer das pessoas que simplesmente seguram a nossa barra em momentos de aperto. Elas não nos indicam a ninguém, mas se acontece um acidente no percurso, tipo uma gravidez inesperada, uma morte na família ou a necessidade de trabalhar enquanto estuda, essas pessoas se colocam de prontidão para ajudar com o bebê para você estudar ou arrumam a casa enquanto você se concentra em prosperar.

Então, não acho errado o governo dar uma mãozinha para quem não tem conexões disponíveis para ajudar. Conheço pessoas que ficaram estagnadas por anos por não terem alguém para dividir/aliviar as obrigações/ dificuldades e gente que trabalha de domingo a domingo e ainda continua muito pobre. Com o custo de vida e os impostos tão altos como estão agora, é praticamente impossível sobreviver sem ajuda do governo. É verdade que o salário mínimo aumentou para caramba nos últimos anos, mas o aluguel também aumentou demais, a ponto de um salário mínimo  ser insuficiente para pagá-lo e manter a casa.

Em resumo, gostaria que as pessoas fossem menos orgulhosas e egoístas e entendessem que política não serve apenas para melhorar a economia do país, mas para garantir a cidadania de todos e controlar a desigualdade social.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Evento Literário da FNLIJ (Seção brasileira do IBBY)

Depois da decepção de domingo com a câmara dos deputados, resolvi limpar minha alma num evento sobre livro infantil. Eu não conhecia a FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) e nem os autores que compareceram ao evento, mas achei muito interessante conhecer um pouquinho do trabalho deles.

A FNLIJ foi fundada em 1968 e sobrevive a duras penas até hoje alocada num escritório da Biblioteca Nacional e é responsável por incentivar os programas de incentivo a leitura de crianças e jovens no país inteiro.  Essa organização é uma seção do programa internacional denominado IBBY(International Board on Books for Young People) , que também é uma instituição pequena com apenas dois funcionários pagos e dez voluntários que trabalham numa salinha. Tem sede na Basileia (Suíça).

No evento, ouvi sobre programas de bibliotecas móveis que circulam em praças atraindo a curiosidade das crianças, exposições de livros infantis com personagens feitos em tamanhos reais e toda sorte de histórias de como uma história pode "curar" uma criança e trazer a esperança de volta para suas vidas. O poder de um livro realmente pode ser enorme para tirar a criança de uma realidade ruim e ajudá-la a ser mais feliz. 

Algumas fotos do evento:
Marina Colasanti

As formiguinhas*

Foto do projeto das formiguinhas.

Power point do projeto literário

Roger Mello (ilustrado premiado internacionalmente) 
e Luciana Sandroni, autora infantil.

Fiz um vídeo da fala de Roger Mello e Luciana Sandroni, mas meu app do Youtube no celular está me "trolando" então acho que vou disponibilizar lá na minha página do facebook e depois colo o link aqui. Gostei de ver ao vivo a Marina Colasanti, mas fiquei decepcionada de não ver o Ziraldo, mas o coitado pegou zika. Fiquei sabendo que há congressos sobre literatura infantil pelo mundo e que esse ano é o ano de homenagear a Espanha e que por isso, terá um evento em junho sobre Cervantes para crianças. Se eu estiver livre, acho que vou de novo. Foi bom conhecer esse universo que pensa transformar a vida das pessoas (pequenas) por meio da literatura.

Um grande abraço a todos!
Aleska Lemos.


* Chamo do formiguinha em alusão ao trabalho delas que por mais importante que seja é feito em pequena escala devido ao baixo orçamento e apoio externo. 

domingo, 10 de abril de 2016

Quando eu pinto um quadro.

Olá! Espero que o domingo de todos tenha sido tranquilo. O meu poderia ter sido mais se eu não tivesse usado o celular hoje, mas se tivesse passado a tarde lendo ou estudando não teria terminado esse quadro que estou tentando fazer desde o início do ano.

Bom, eu vim hoje para contar um pouco da história desse quadro que chamo de "Os desejos". Todo artista tem seus quadros interpretados por grandes críticos de artes e historiadores, mas eu reconhecendo a minha pequenez  resolvi deixar ao público a imagem e a mensagem.

Tive a ideia dessa imagem num momento em que estava um tanto confusa sobre o que desejo e resolvi sintetizar as coisas na tela. Nessa versão final algumas coisas foram sumindo, como as pirâmides, a torre eifell e uma legenda que permitia reconhecer aqueles morros no canto superior da tela como sendo uma parte da Grécia, mas a ideia geral permanece representada no avião, que é a minha vontade de viajar.
Primeira versão antes da tinta

Eu não sou ruiva, mas me represento com o cabelo alaranjado porque é uma vontade que eu tenho desde pequena. "O livro da Aleska" é o meu desejo de escrever um romance de aventura como o Harry Potter que me inspirou tanto na adolescência (reparou no óculo dele e no raio no canto superior direito?).

Pode parecer estranho ter metade de uma menina flutuando na tela com a mão estendida, mas isso é referência a uma música antiga que diz que quando o adulto se encontra em perigo é a criança que lhe estende a mão. O modelo da menina eu tirei de uma criança de verdade muito engraçadinha que vi numa exposição do CCBB.

A citação favorita, porém, é o bode tocando violino. Quem já assistiu o filme "Um lugar chamado Notting Hill" sabe que Marc Chagall pintou esse personagem enquanto dois noivos flutuavam. Tive a ideia de representá-lo após pesquisar seu significado para o autor que é bem intenso (quase tatuei em mim por causa disso ). Tem a ver com amor e sacrifício  e eu sinto muita poesia nesse bode, apesar é claro dele ser um bode.  Vou deixar aqui outras versões mais antigas da imagem para que possam ver o processo criativo:
Penúltima versão.


Nessa hora eu estava ficando nervosa e frustrada porque o quadro não estava ficando do jeito que eu queria. O amarelo dava uma ideia legal pro quadro, como se na verdade ele fosse uma ilustração, mas roubava o destaque dos outros elementos da imagem que também tinham tons fortes. Era quase como se o fundo fosse o protagonista.
Primeira camada de tinta
É, eu comecei como uma menina loira nessa pintura [risos] já deu para perceber que sou camaleônica né?

Bom, enfim agora que já me exibi e deixei uma imagem para a História eu vou indo. Acho que estou com algumas ideias para continuar pintando, mas vamos ver se a minha determinação ajuda. Um grande abraço,

Aleska Lemos.

domingo, 3 de abril de 2016

As rosas douradas de Letícia

Espelho:
O rosto manchado
de vermelho
e roxo.
Marcas violetas
da vergonha.

Coração:
Humilhado,
traído,
incapaz de entender
que não merece tudo aquilo.

Flores!
Flores douradas para Letícia,
aquela que não sabe,
mas que foi vítima de uma doença social,
que mata todo dia, milhares de vítimas:
o machismo.
 por Aleska Lemos.


Esse poema é totalmente ficcional e foi feito para a página: https://www.facebook.com/comfesu/?fref=ts