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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Homenagem a um tio Querido.


Acho que já mostrei aqui umas pinturas que me atrevi a fazer não é? Pois é, o que não disse é que o que me atraiu para a pintura, não foi somente a admiração pelos grandes mestres europeus como Picasso, Dalí e Da Vince. Desde pequena eu achava muito curioso o estilo do meu tio Getúlio Toledo, um pintor desconhecido da maioria, mas que retratava estranhas figuras femininas (muitas vezes sem rosto) em tons de azul. 

Apesar de terem um tom melancólico (na maioria das vezes) são quadros muito bonitos e chocantes a seu modo.Para uma criança  acostumada a pensamentos felizes aquela arte parecia assustadora, mas nunca duvidei do talento dele.  Hoje compreendo melhor seus sentimentos e acredito que compartilho alguns deles, principalmente sobre a infância.

Não sei se ele vende os quadros, mas lembro que os que me marcaram foram dois: Um dele indo para o além com o cachorro (mandando o dedo do meio para todos os que ficaram) e o outro falava sobre as pessoas que correm atrás do dinheiro e esquecem das outras coisas boas que tem na vida. Esses eu não vejo mais na casa dele, mas tem outros tão interessantes quanto:


A mulher flechada. Não sei o que significa, mas é muito impactante e gigante.

Só sei que tem a ver com a casa em que ele nasceu kkkk mas não sei bem como explicar.

Esse tem a ver com arrependimentos. Reflete aquela fase da vida em que nos perguntamos "E se?" para saber se estamos no caminho certo.

Esse sempre me lembra uma música chamada "bola de gude" porque tranta de um menino tentando chegar ao adulto que ele se transformou para curar a tristeza dele, só que a escada está quebrada
Agora uma coisa curiosa é que ele pode até contar o significado do quadro, mas nunca conta a identidade da musa dele (ah sim, todas as mulheres que ele pinta são uma só). Acho que ele tem o prazer de imaginar que estamos especulando sobre ela (o que de fato acontece) e por isso mantém o mistério.

Acho muito injusto ele não ter reconhecimento, mas ele não gosta de redes sociais então fica mais difícil ainda que as pessoas possam vir a admirar sua arte. Gostaria que ele não ficasse famoso só depois da morte como o Van Gogh então vim postar aqui para que pelo menos vocês, meus amigos leitores, pudessem compartilhar comigo a contemplação dessas pinturas.

Um grande abraço!
Aleska Lemos.

sábado, 28 de maio de 2016

Um desabafo sobre estupro.

Essa semana chocou o país com o caso da jovem violentada por 33 homens aqui no Rio de Janeiro. Ok, há muita gente duvidando se ela consentiu ou não com o ato, mas para mim foi estupro sim. Os áudios e fotos que vieram depois não me convencem, para mim são montagens porque o que corre a boca pequena é que os autores do crime são traficantes e para prender um deles você gasta muito chumbo grosso.

Não vou entrar muito no mérito do caso, na verdade, quero discutir uma coisa por detrás dele que me chocou bastante: o fato dos autores do crime terem postado o vídeo no Twitter. Quando li a notícia achei que tinha sido um crime praticado por um monte de imbecis, porque ninguém que seja esperto o bastante dá provas contra si mesmo, não é?  Só que eu fui ingênua, pois mesmo conhecendo a sociedade em que vivo esperei o melhor do ser humano. Quando li as notícias de que o delegado estava culpabilizando a vítima, mesmo tendo um vídeo onde os criminosos filmam a coitada inconsciente e sangrando, achando aquilo tudo muito bonito, quase caí da cadeira. Meu único pensamento era: 
"What the fuck?!?"
Daí 30 segundos depois entendi, aliás lembrei, porque os criminosos ficaram tão confiantes de que sairiam ilesos dessa: a sociedade respalda  esse tipo de comportamento. Talvez você fique chocado com essa afirmação, me ache uma louca, ou alguém bem intencionado que está sendo manipulada pelas "feminazis", mas me diga você que é mulher se nunca deixou de fazer algo na vida porque não era seguro pelo fato de você ser mulher enquanto que seu irmão/primo etc podia fazer tudo isso porque  era homem? (tipo ficar na rua de madrugada com as amigas, passar numa rua deserta para cortar caminho ou sair desacompanhada no carnaval?) Se nunca deixou de fazer essas coisas, me diga se fez tudo isso tranquila de que as pessoas na rua a respeitariam e entenderiam que você tem direito a se divertir. Diga-me se nunca viu um homem na noite e teve medo dele.

O grande problema é que sabemos que se algo nos acontecer, as pessoas à nossa volta nos culparão, não darão apoio algum porque acreditam que "demos mole", que não tínhamos o direito de ir no baile funk, de voltar do centro as dez da noite (mesmo se for para estudar) , que não tínhamos o direito de beber de madrugada com os amigos ou de ir no carnaval sozinhas (afinal se vai é porque quer dar né?#sóquenão). No fundo, culpa-se a mulher por um erro que cada geração comete ao educar seus filhos, que é ensinar-lhes que o homem tudo pode , que ele é o maioral se "comer um monte de mulé" e que eles tem direitos sobre nossos corpos.

Até quando deveremos pagar pela falta de freio que se ensina aos homens?Isso é muito injusto, ser culpada pelo erro dos outros. É claro que nem todo homem seria capaz de estuprar uma mulher, acho que a pessoa precisa ser muito covarde ou sem caráter para absorver a ideologia machista dessa maneira, mas eles aprendem essa ideia monstruosa em vários níveis e é muito difícil se desvincularem porque faz parte da identidade de gênero deles (algo que precisamos ajudar a mudar).

Um último ponto que gostaria de incluir é que essas reações das pessoas me fazem crer às vezes, que os estupros são vistos como "corretivos",  uma forma de resgatar aquela família tradicional de séculos anteriores, onde a mulher era a guardiã da moral e da família e o homem o provedor que não se envolvia muito afetivamente com os problemas da casa, porque a unica função dele é de sustentar a todos e mandar. Não vejo outra explicação para esse apoio todo à diminuição do espaço e da representação da mulher na sociedade, a não ser talvez a ignorância.

Isso é tudo, pessoal!
Beijos da Alê Lemos.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Tributo à Sensibilidade.

As pessoas desde sempre (na minha vida) exaltaram a força emocional.  Nascida de uma linhagem de nordestinas e descendente de nordestinas, estou muito acostumada a pessoas de personalidade mais "forte"/"barraqueira" e de "couraças"emocionais, mas quis Deus que eu fosse feita de uma matéria mais delicada e ter um pouco de aversão a discussões.

Vendo esse tipo de característica em mim, minha família e outras pessoas na minha vida, tentaram incutir coisas na minha cabeça, para o meu próprio bem, acredito. Minha avó dizia que para os "outros" a gente não conta os nossos erros e minha mãe dizia que não devíamos dar intimidade, contar nossos sentimentos nem para amigos porque uma hora eles usariam isso contra nós. Eu nunca levei isso tão a sério até uma grande amiga jogar na minha cara, certas coisas, quer dizer eu só esperava esse tipo de coisa de falsas amizades, foi um grande choque.

Eu ainda não sei, ou tenho dificuldade de aceitar que a vida seja exatamente assim, como minhas sábias ancestrais me diziam. Só sei que essas e outras iniciativas para me transformar numa pessoa forte fizeram-me odiar minha sensibilidade e acreditar que ela era uma fraqueza. Um dia decidi que não mais deixaria os outros me machucarem  (costumava chorar a toa na escola e as outras crianças zombavam de mim) e me empenhei ao máximo para controlar o choro e não dar armas a ninguém contra mim. O resultado foi que as pessoas a minha volta acharam que eu era impenetrável e me odiaram por isso (eu tomava um gelo danado na escola).

Hoje em dia eu vejo que ser sensível não é apenas se magoar  com coisas pequenas. Uma pessoa sensível é feliz por ver a poesia das coisas, é alguém capaz de ter prazer ao contemplar um quadro, alguém capaz de perceber que outra pessoa precisa de ajuda ou tem dificuldade em algo, mas acima de tudo alguém que não quer passar pela vida sem sentir ou ser indiferente às injustiças do mundo. Às vezes pode se tornar egoísta, porque quando se fere, se fecha para o mundo, mas acho que é em parte porque acredita que falhou em ser forte (e está morrendo de vergonha por isso).

Não vou negar que este mundo seja muito duro, às vezes (ou na maioria do tempo, para alguns), e que é preciso resiliência, mas em parte ele é assim porque não sabemos valorizar o que é terno e leve. Temos aquele egoísmo dentro de nós que diz "se eu mudei, ele também tem que mudar" e nos julgamos no direito de mudar ou de pressionar a pessoa que difere de nós, e assim perpetuamos um mundo ruim ao invés de contribuir para melhorá-lo. E mudar o mundo é algo muito simples: é defender nosso jeito de ser, é se impor. São ações pequenas que vão ter consequências enormes e infinitas.

Ah, uma última dica às pessoas sensíveis: se aceitem como são! E não digo que devem pedir que os outros aplaudam suas decisões, apenas aceitem que não são duras como rocha e deixem que seus sentimentos mostrem o que você pode e o que não pode fazer.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Exposição de doces do Centro de Tecnologia da UFRJ.

Tá vendo essa cara de louca aqui do lado? Pois é a minha cara quando enfrento o inferno do BRT podendo ficar em casa curtindo o friozinho, apenas por causa de uma exposição de doces. Na verdade, pensando bem me parece um motivo bem plausível [risos] afinal eu sou uma formiguinha como dizia a amiga Sheila do blog "Cozinha de Mulher". O pessoal aqui de casa que me fez sentir a maluquice da situação, mas acho que era somente a preguiça de sair de casa falando alto na cabeça deles, porque depois todo mundo quis doce.Vejam só o meu "espólio de guerra":

Os doces que comprei
Foram dois docinhos de chocolate branco recheados com geleia de morango, um cupcake de churros, um alfajor no palito (com recheio de nutella), um brigadeiro gourmet de limão, um brigadeiro na colher, uma cocada de leite condensado e um pão de mé (mel na linguagem do Mussum). Gastei nisso tudo R$32,00 e fiquei triste por não ter podido comprar um item de cada barraca. Eram docinhos tão lindos! Infelizmente esse era todo o dinheiro que eu tinha, mas também se levasse mais eu e minha família  explodiríamos feito a dona Gorda de uma dessas novelas da TV Globo.
Os amigos leitores devem estar se perguntando quantos quilos eu peso  onde foi esse evento tão delicioso. Bem ele está acontecendo essa semana no hall de entrada do Centro de Tecnologia da UFRJ e acaba hoje às 17 horas. Esse evento tinha como objetivo estimular estudantes da UFRJ a montarem seu próprio negócio, em outras palavras estimular o empreendedorismo dos alunos. Tenho a impressão de que conseguiram porque o pessoal caprichou na arrumação das mesas e na decoração usando plaquinhas, peças de porcelana, oferecendo provinhas e doces exóticos feito de inhame. Se tiverem mais ideias assim eu viro vegana kkkkkkkkkkkkkkkkkk.

Olha só o que rolou por lá:
Nessa mesa acho que não comprei nada mas gostei bastante da peça de porcelana com a provinha de brownies, mostra que a pessoa fez os produtos com amor e carinho e convenhamos: assim é mais gostoso né?
Esse casal tímido quase não saiu na foto. Tive que insistir, afinal de que adianta fotografar os doces se eu não tiver a quem atribuir depois?

O povo se empolga quando a gente diz que vai por no instagram.

Essa mesa eu achei muito bonita e foi aqui que comprei o cupcake de churros.

Mas esta da abelhinha foi a mais fofa. Não sei como ainda tinha tanto produto na hora em que cheguei.
Acho que foi aqui que comprei o brigadeiro de limão (minha mãe adorou)

Ah! Infelizmente essa foto saiu cortada, mas a marca é "Morena Cor de Canela"

Essa mesa elegante é da marca "Melô Brownies" comprei um brownie e um brigadeiro no palito aqui.


E no meio da feira encontrei uma leitora do outro blog que escrevo, o "O que tem na nossa estante" É muito legal saber que estamos ficando conhecidas.

Daqui eu não levei nada, mas achei a arrumação da mesa muito bonita.

Pessoas simpáticas querendo sair na foto. Fiquei com vontade de comprar algo, mas  fui ver a feira primeiro e esqueci de voltar.

Eta trem bom sô!

Eu estava torcendo para ter canudinhos, mas no fim também esqueci de voltar para pegar.


No fim, por ter que dividir com outras pessoas não pude provar tudo o que comprei, mas recomendo a quem puder dar uma passada lá. O docinho de inhame é imperdível, e se você já estiver no fundão, bem acho mais jogo ir lá do que caçar um doce decente nos trailers de comida. Tem opções bem razoáveis($$) para matar sua fome de doce. E para quem vai fazer uma festa tenho aqui alguns contatos para encomenda de doces. A maioria delas tem página no facebook ou conta no instagram, de forma que você possa conhecer o trabalho delas melhor:

Melo's Brownies: facebook.com/melosbrownies ou Melosbrownies@gmail.com (ilha do Governador)
Dona rosa Brigaderia: tel: (21) 9-95311929 ou monicamoura@mn.ufrj.br
Adorçarte: facebook.com/AdoçArte-Delícias  ou @adocarte_deli
Nina Brigaderia: @brigadeirosdanina  ou facebook.com/ninabrigaderia
Brownie da Sereia: @Browniedasereia 
Ateliê Fran Artes: @ateliefranartes (instagram) ou facebook.com/Ateliê fran Artes.


terça-feira, 17 de maio de 2016

Botando a cabeça para pensar com a Chica.




Perfume espalhado pelo vento.
Eu entre as flores convalescendo.
O sol está lindo,
mas como dia ameno de outono,
a brisa é fria
e o que me aquece
são os sentimentos.

Será assim o meu futuro?
Colorido,perfumado e tranquilo?
Levarei comigo a plenitude
que me inspiram as flores?

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Semi- desconectada.

Muito barulho na minha cabeça.
É contexto social conturbado,
expectativas alheias,
morte na família,
cobranças.

Há livros fazendo aniversário na minha estante
e eu aqui com a cara de pau vendo netflix.
Mas do nada decidi:só o instagram vou usufruir
(tá o Whatsapp também rsss),
até o fim da tarde.

Tem sido dias mais produtivos:
escrevi, desenhei e li
 tenho a sensação
de que estou No caminho novamente.

Não sei explicar onde ele
vai me levar,
Nem porque ele é o certo
e o outro equivocado,
só sei que me encaixo,
e um pequeno sol
me preenche.¹




¹É aquela sensação do Charlie  no livro "As Vantagens de ser invisível" de se sentir infinito.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Em Breve... ou as equivocadas promessas.

- Vai chorar vizinha?

Aquela mulher era um inferno. Durante o último ano, me infernizou com suas opiniões coxinhas e equivocadas e no fim acabou vencendo.

-Vou, vizinha. O choro é livre e eu vou chorar pelo fim da democracia, o que você devia fazer também.
A resposta foi um sorriso ainda mais debochado, mas eu não me importava. Ela era uma pobre mulher que mal sabia o que lhe aguardava. Meus inimigos eram outros, portanto a ignorei e peguei meu violão para lamentar:


Em breve será PROIBIDO,
falar mal de político
e fazer HISTÓRIA
nas aulas de HISTÓRIA.
A TELEVISÃO, não mais falará
em CORRUPÇÃO
e o povo feliz ficará,
sem perceber o aumento da EXPLORAÇÃO.

Em breve nos venderão,
a preço de banana.
muitas MARIANAS se sucederão
pelos caixas dois desses "bacanas".
Quererão nos calar ainda mais na internet,
punir uns NINJAS atrevidos,
para tentar engolir nossas mentes.

Em breve MULHERES,
receberão toque de recolher
e mais violência contra os LGBT
Em breve ... em breve...
a promessa é triste,
a jura é cruel,
mas o povo é forte
e vai desafiar,
Muitos CHICOS surgirão,
para a manutenção da esperança.
Não nos cansaremos de lutar!
 Por: Alê Lemos.






terça-feira, 10 de maio de 2016

Os últimos dias de um idoso.

Há poucas semanas meu pai levou a família para um almoço em Pedra de Guaratiba. Meu avô adorava peixes e frutos do mar e ficou com essa carinha após várias postas de peixe, várias conchas de bobó de camarão e pirão. Também adorava uma cervejinha (acho que mais que a comida).

Nesse dia ele parecia um menino e me apontava de dentro do carro todos os lugares que ele já havia conhecido e trabalhado quando fora vidraceiro.  Disse com muito orgulho que conheceu Dona Mocinha e o Barão da Taquara pois tinha trabalhado para eles há muitos anos atrás. Para quem não sabe essas figuras fazem parte da história de vários bairros da zona oeste carioca.

Um dos bordões de seu Lauro era que "as pessoas tinham que ter um ofício", pois achava que estudar não era importante, afinal ele nascera "num lugar que não tinha água, eletricidade e nem escola" e se considerava bem de vida. Na hora eu só pensei na ingenuidade daquele pensamento, já que ele vivia de uma aposentadoria mínima ou talvez na pureza de suas ambições. Olhei em seus olhos e vi um menino querendo um colo, aliás: o meu colo porque eu a "bonecrinha" dele (às vezes "bonecrinhazinha" ) lembrava a irmã que cuidou dele e morrera tragicamente no passado.
 Essa história sempre me deixou meio bolada [risos], mas ela evidencia a vontade do meu avô de ser cuidado. Como o menino da música, despertar foi muito duro.
Meu avô, um escorpiano difícil, tinha muita intuição e no mesmo dia disse para nós que faltava pouco para ele morrer. Não levamos a sério, claro, às vezes ele fazia um charme desses, mas quase um mês depois isso até parece profético. Na verdade ficamos na dúvida se era profecia ou se era apenas a vontade dele, afinal ele era forte como um touro e o mês que escolheu para partir é curioso: o mês que a esposa dele faleceu há um ano. 

Nessa madrugada, faleceu como um passarinho: simplesmente dormiu e não voltou.  Espero que tenha ido voar em outros bosques.
Vô, o senhor vai deixar muitas saudades viu? Mas fico feliz que se libertou da Capela 6*

Beijos da Bonecrinha!

*Um dos passatempos favoritos dele era de colocar apelidos nos outros, Capela 6 era o nome da casa dele, onde se sentia muito só.








terça-feira, 3 de maio de 2016

Conexão

Os ventos frios chegaram,
e me empurraram para fora.
Saí sem querer da gaiola
e senti a conexão.

Estava confusa e embrulhada
desfrutando o conforto,
em minha cama acovardada.

I'm not a good lover,
you're gonna regret
Why do you choose me
when our fears are that big?

O fato é que não esperava
amor agora é furada,
quando tanta coisa precisa
ser descoberta
e minha alma revelada.

Queria-me só para mim,
mas o chamado da paixão
não espera por ninguém
e não passa duas vezes.
Um mero erro adia por anos
ou mata a oportunidade de vez.

E agora como convalescer?
Como me recuperar totalmente
se sou chamada para esse mergulho profundo?
Tão tentador, tão assustador
qual canto das sereias.
Que conexão mística
que me faz saber teus segredos
antes mesmo que tu mos diga.
Antes mesmo de eu ter certeza.
 por Aleska Lemos.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Exposição ComCiência no CCBB RJ



Eu querendo fazer mais arte que a artista. ou melhor: "Dança da motinha"


Sábado dia 30 de abril fui com um amigo ver a exposição "comciência" de patrícia Piccinni. O estilo da artista é classificado de "hiper realismo", porque na verdade ela extrapola a verossimilhança com o real e cria seres híbridos com características humanas e animalescas.

No panfleto diz que a artista deseja mostrar o afeto das criaturas que ela idealiza e assim desconstruir nossa noção de beleza, mas também é uma crítica ao nosso fascínio pelas máquinas. Veja um trechinho do material que o CCBB preparou:

" Na vida, algumas coisas, uma vez feitas, não podem ser desfeitas. Uma vez criadas, não podem mais ser contidas. E isso acontece tanto com a arte quanto com uma criatura geneticamente modificada- e aquele que acha que pode controlar suas criações está se enganando: assim que saem de nossas mãos, elas ganham vida própria.
O que aconteceria, então, se fôssemos capazes de criar máquinas com genes? E se essas máquinas, extremamente duráveis, se transformassem em seres com vontade própria, com sentimentos e essências orgânicas dentro de si? Reunimos um grupo de obras que traz à vista essa possibilidade (e, em oposição ao conceito de biônico, essa é uma proposta de criação mecânica orgânica). A fascinasção dos seres humanos por suas máquinas pode fazer com que um dia eles desejem transformá-las em seres vivos. Essas máquinas poderão, a partir daí, encontrar formas de expressão de sentimento e singularidade, e irão, assim se descolar da máquina e se aproximar do humano."

Essas máquinas orgânicas realmente chocam o nosso olhar, porque por mais nosso senso de estética as classifique de "horríveis" elas tem elementos muito parecidos com os nossos, tais como a pele, verrugas, veias e cabelos (que realmente saem de dentro do crânio das esculturas) e é claro: o sentimento muito palpável em seus gestos e olhares. A maioria das peças que fotografei eram feitas de silicone, mas se você olhar ao vivo vai achar que é pele mesmo de tão perfeito.
Flor na entrada da exposição.
Não sei porque os artistas se sentem tão intelectuais fazendo objetos que lembram a vulva...

A criatura e a menina. Angulo 1
Essa figura que é metade humana e metade castor seria uma invenção para cuidar de crianças e deixar os adultos livres para fazer outras coisas.
A criatura e a menina angulo 2

A criatura e a menina. Ângulo 3
A autora quis mostrar aqui como os padrões de beleza e preconceitos (como pessoas que não se enquadram no padrão) são construídos pois na infância somos mais propensos a aceitar as diferenças.
Bebê humano sendo protegido por sua babá ainda filhote.


Essa criatura que parece um leão marinho me lembra aquele filme chamado "5 criaturas e a coisa"

Um ser híbrido (meio bebê humano, meio símio) praticando esportes em cima de um animal também hibrido ( tipo, isso é uma ovelha ou um bode?)

Menino querendo aprontar nas cadeiras empilhadas (se você ficou nervoso, saiba que é uma estátua)


Esse monstrengo em questão é especialista em cuidar de filhotes de outras espécies. Eu fiquei tão chocada que não fotografei as costas dele. Tem outros bebês de outras espécies nas costas dele saindo de sua pele (eca!). Apesar da repulsa, achei fofo ver que o menino jogou o ursinho fora para aceitar o abraço da criatura.
É como se o monstro fosse o urso vivo. Um brinquedo que dá afeto de volta.

Menina com casal de criaturas.

Esqueci o nome dessa tela, mas sei que tem a ver com as ondas sonoras.

Não entendi o que era, mas estava na sala das máquinas junto com a moto do topo do post.

Escultura de borracha Ao mesmo tempo que parecem frutas, me parecem o corpo de uma mulher.

"O papagaio". O papagaio vive por 80 anos. O menino que o segura deve ter bem menos que isso, mas suas feições também sugerem que ele seja um antepassado da espécie humana. Então,quem veio primeiro? O garoto ou o pássaro?


Não foi a melhor exposição que já fui, mas com certeza foi bastante intrigante. Questionou o imaginário humano a cerca do desenvolvimento científico, questionou padrões de beleza, questionou quem é a criatura e quem é o criador, usou diversas técnicas, como desenho, escultura em silicone, animação, telas em acrílico, balão de gás e até cabelo humano! Fiquei boquiaberta com tanta riqueza de pensamento e com a imaginação dessa mulher  que é incrível (imaginar humanos parindo capivarinhas não é para qualquer um), mas ainda estou digerindo toda essa informação que ela quis nos passar. 

Se você é do Rio, aviso que a exposição vai ficar até 27 de junho, mas não deixe de ir beleza? Vou ficando por aqui, grande abraço!

Alê Lemos.



domingo, 1 de maio de 2016

Quando preciso de silêncio.

Eu sou irremediavelmente tagarela, daquelas que a emenda sai pior que o soneto. De alguma maneira, porém, acho que conquisto as pessoas pela minha alegria e sinceridade e também pela falta de noção às vezes.

Sou tão alegre e bobalhona que quando me calo com certeza é porque estou triste e confusa. E vem sendo assim desde o ano passado quando eu estava me forçando a fazer algo que não queria, porque me parecia mais economicamente vantajoso.

Graças a Deus tive a intuição certa e larguei esse projeto, mas isso teve uma consequência importante na minha vida: pude conhecer melhor essa pessoa que eu sou, mas tem sido difícil de largar alguns velhos hábitos dessa minha vida passada. Foi muito tempo construindo um sonho em cima de um desconforto vocacional.

Assim com tantas descobertas acontecendo, tenho me sentido incapaz de manter uma rotina e levar qualquer projeto adiante. Seja pela minha inconstância ou pela minha impaciência com outras pessoas (até saí de um grupo por isso). Acho que o momento é de maior introspecção e de necessidade de cuidar do meu coraçãozinho maltratado (por mim mesma), então acabei usando lápis de cor para extravasar os sentimentos e vejam só o que criei:
Essa menininha fofa é a Lara.  É a primeira vez que desenho um retrato de bebê então dá um desconto ok? [rss]. É filha de uma amiga da faculdade que posta uma foto da criança todo dia no facebook e como a acho muito engraçadinha resolvi desenhar.
Essa é A Ninfa. Ela invadiu meus pensamentos esses dias e eu a libertei no papel. Acho que deve ser o lado épico da minha personalidade. Adorei tê-la feito, acho que posso ver algum estilo artístico nela, a minha marquinha no papel.

Quanto a livros, bem li alguns de janeiro até agora mas infelizmente não foram aqueles que eu fotografei, mas os mais legais foram "Como eu era antes de você" da JoJo Moyes, "Tamanho não importa" da Meg Cabot e "Tamanho42 e pronta para arrasar" também da Meg Cabot. Além desses, recomendo "A profecia do paladino" e um livro de poemas chamado "De terra, vento e fogo" feito por uma mestra em literatura de Moçambique.

Tem sido muito terapêutico ler e desenhar, é como ir se recuperando de uma doença e ir se conhecendo melhor e se constituindo como mulher e pessoa. Acho que em breve vou escrever também, aí venho e posto o link do wattpad aqui. Grande abraço e um ótimo dia do trabalho!

Alê Lemos.